Santuário Cristo RedentorUm dos maiores ícones mundiais, agora mais perto de você.https://cristoredentoroficial.com.br/Não à indiferençahttps://cristoredentoroficial.com.br/noticias/nao-a-indiferencahttps://cristoredentoroficial.com.br/noticias/nao-a-indiferenca<p>    A gente tem tanta pressa, no dia a dia, que mal se observa. Menos ainda aos que estão ao nosso redor, não é verdade? Só que não é bom vivermos dessa forma. Deus nos criou para vivermos em comunidade, porque sabia que, dessa forma, seríamos mais felizes. Juntos, uns dos outros, encontramos o auxílio necessário, diante dos desafios da vida. Mas, hoje, a indiferença ao que nosso irmão vive, infelizmente, parece predominar.<br><span style="color: inherit;">    Por isso mesmo é tão lindo notarmos, ao ler o evangelho deste domingo, o quanto Jesus é atencioso à necessidade até de quem Ele não conhece...</span></p><p style="text-align: center; "><span style="font-weight: bold;">“Ao passar, Jesus viu um homem cego de nascença. E cuspiu no chão, fez lama com a saliva e colocou-a sobre os olhos do cego. E disse-lhe: “Vai lavar-te na piscina de Siloé” (que quer dizer: Enviado). O cego foi, lavou-se e voltou enxergando”. (Jo 9,1; 6-7)</span></p><p>    O homem sequer pede algo ao Senhor! Mas, mesmo assim, Ele se compadece da situação em que ele vive. Não é indiferente.  Jesus toma a iniciativa porque sabe que, conforme o pensamento da época, a cegueira é considerada um castigo divino, pelos próprios pecados ou pelos pecados dos seus antepassados, e isso é um grande fardo emocional e psicológico, além de espiritual. E Jesus é tão bom, tão misericordioso que não se limita somente à cura física: Ele quer a cura do homem por inteiro! Por isso mesmo se utiliza do simbolismo de dois elementos, a terra e a saliva, que formam o barro e remetem à criação do ser humano, para deixar claro que Sua ação visa recriar a pessoa, oferecendo nova vida. É interessante destacar, também, que, à época, acreditava-se que a saliva transmitia a energia vital da pessoa. Assim, Jesus anunciava a todos que Sua energia divina possibilitava aquela cura.<br><span style="color: inherit;">    No entanto, a graça divina não exclui o empenho humano. E por isso o cego precisa ir lavar-se, obedecendo livremente à palavra do Senhor, que, então, ilumina aquela existência por completo. Dizer “não” à indiferença é sempre um “sim” a graças para a vida de outras pessoas — já pensou nisso?</span></p><div><br></div>Mon, 27 Mar 2017 14:42:23 -030024 horas para o Senhorhttps://cristoredentoroficial.com.br/noticias/24-horas-para-o-senhorrrhttps://cristoredentoroficial.com.br/noticias/24-horas-para-o-senhorrr<p>    A evangelização exprime a identidade, a vocação própria da Igreja, sua missão essencial: "Evangelizar constitui, de fato, a graça e a vocação própria da Igreja, sua mais profunda identidade". (Paulo VI "<span style="font-style: italic;">Evangelii nuntiandi</span>", 14).<br><span style="color: inherit;">    Quando falamos da atividade missionária da comunidade eclesial, precisamos passar da missão à missionariedade, do objeto (o que fazer) ao sujeito (quem vai fazer) do mandato missionário. Não é suficiente perceber a necessidade da missão, mas é fundamental tomar consciência de que toda a Igreja, e nela cada batizado ou batizada, é o sujeito da missão. Fica, pois, muito claro que toda a Igreja é por sua natureza missionária.<br></span><span style="color: inherit;">    Os cristãos não podem permanecer passivos, reduzindo, muitas vezes, sua pertença eclesial a momentos rituais. É preciso colocar toda a Igreja em "estado permanente de missão". A Igreja é toda missionária em seus membros, que agem de diversos modos de acordo com a multiplicidade e a variedade dos carismas e dons. É em cada um de seus membros que a comunidade cristã coloca-se a serviço da evangelização e é enviada para pregar o Evangelho a toda criatura.<br></span><span style="color: inherit;">    A grande missão da Igreja concretiza-se na preocupação com a pessoa humana em sua totalidade. Não é preocupação com uma salvação abstraia, mas compromisso de fé com o ser humano, com seu crescimento no seguimento de Jesus e com sua plena realização em todos os sentidos, porque entre evangelização e promoção humana — como sabiamente afirmou o Papa Paulo VI — existem de fato laços profundos.<br></span><span style="color: inherit;">    Na iniciativa de sempre ser missionária, o Papa Francisco, através do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, lançou o momento forte de oração e de reconciliação com o Senhor, chamado </span><span style="color: inherit; font-weight: bold;">24 horas para o Senhor</span><span style="color: inherit;">.  Nesta bela celebração, a Igreja abre suas portas durante esse tempo para a reflexão, oração, adoração, celebração, louvor e para a administração do Sacramento da Penitência.<br></span><span style="color: inherit;">    Neste ano, o Papa presidiu a liturgia penitencial na Basílica de São Pedro no dia 17 de março, antecipando de uma semana a data em que todas as Igrejas colocarão o Sacramento da Reconciliação no centro do caminho da nova evangelização em toda a Igreja. O tema deste ano é: “Eu quero misericórdia”, extraído do Evangelho de Mateus (Mt 9,13). O Papa disse na homilia: “Que eu veja de novo” (Mc 10, 51): este é o pedido que queremos fazer hoje ao Senhor. Ver de novo, depois de os nossos pecados nos terem feito perder de vista o bem e desviar da beleza da nossa vocação, levando-nos a vagar longe da meta. Este trecho do Evangelho possui um grande valor simbólico, por que cada um de nós se encontra na situação de Bartimeu. A sua cegueira levara-o à pobreza e a viver na periferia da cidade, dependendo em tudo dos outros. Também o pecado tem este efeito: empobrece-nos e isola-nos. É uma cegueira do espírito, que impede de ver o essencial, fixar o olhar no amor que dá a vida; e, aos poucos, leva a deter-se no que é superficial até deixar insensíveis aos outros e ao bem. Quantas tentações têm a força de anuviar a vista do coração e torná-lo míope! Como é fácil e errado crer que a vida dependa do que se possui, do sucesso ou do aplauso que se recebe; que a economia seja feita apenas de lucro e consumo; que as pretensões próprias devam prevalecer sobre a responsabilidade social! “Olhando apenas para o nosso eu, tornamo-nos cegos, amortecidos e fechados em nós mesmos, sem alegria e sem liberdade”. (Retirado do site: </span><a href="http://www.acidigital.com/noticias/texto-homilia-do-papa-na-celebracao-penitencial-24-horas-para-o-senhor-89847/" style="background-color: rgb(255, 255, 255); text-decoration: underline;">http://www.acidigital.com/noticias/texto-homilia-do-papa-na-celebracao-penitencial-24-horas-para-o-senhor-89847/</a><span style="color: inherit;"> Último acesso em: 19/03/2017)<br></span><span style="color: inherit;">    Em nossa Arquidiocese celebraremos nesses dias 24 e 25 de março, em todos os vicariatos.<br></span><span style="color: inherit;">    São muitos eventos! Como aqui nós já temos os “mutirões de confissões” durante a Quaresma, quando os padres de uma região se unem para atender as confissões dos fiéis de uma paróquia, as 24 horas para o Senhor tem outro dinamismo: saímos, em geral, às ruas e às praças.<br></span><span style="color: inherit;">    Caso queira ver a nossa programação, veja a notícia em nosso site: </span><a href="http://arqrio.org/noticias/detalhes/5517/24-horas-para-o-senhor" style="background-color: rgb(255, 255, 255); text-decoration: underline;">http://arqrio.org/noticias/detalhes/5517/24-horas-para-o-senhor</a><span style="color: inherit;">. Nesse site temos por completo a nossa programação.<br></span><span style="color: inherit;">    Portanto, meus irmãos e irmãs, ao celebramos este momento tão rico de oração e de acolhimento, quero, como pastor desta Igreja Particular, pedir a todos que vivam intensamente esta graça em nossas paróquias e vicariatos.<br></span><span style="color: inherit;">Lembramos que todos os padres em nossa Arquidiocese estarão atendendo confissões em suas paróquias, nas ruas e praças, nos dias 24 e 25, conforme a programação própria de cada comunidade paroquial, forania ou vicariato. Vamos aproveitar este momento propício para uma boa confissão!<br></span><span style="color: inherit;">    O Papa Francisco ilustrou bem a questão central do Sacramento da Confissão ou da Reconciliação: “O primeiro passo para “penetrar neste mistério”, a grande “obra de misericórdia de Deus”, é envergonhar-se dos próprios pecados, uma graça que não podemos obter sozinhos. O povo de Deus, triste e humilhado por suas culpas, é capaz de senti-la, enquanto o protagonista do Evangelho do dia não consegue fazê-lo. É o servo que o patrão perdoa apesar de suas grandes dívidas, mas que por sua vez, é incapaz de perdoar seus devedores. “Ele não entendeu o mistério do perdão”, destacou Francisco, falando da realidade de hoje: “Se eu pergunto: ‘Vocês são todos pecadores?’ – ‘Sim, padre, todos’ – ‘E para receber o perdão dos pecados?’ – ‘Nos confessamos’ – ‘E como você se confessa?’ – ‘Vou, digo meus pecados, o padre me perdoa, me dá três Ave-Marias para rezar e vou embora em paz’. “Você não entendeu! Fazendo assim, você foi ao confessionário fazer uma operação bancária ou um processo burocrático. Não foi lá envergonhado pelo que fez. Viu algumas manchas em sua consciência e errou, porque pensou que o confessionário fosse uma lavanderia para limpar as manchas”.<br></span><span style="color: inherit;">    “Você foi incapaz de envergonhar-se por seus pecados”. (cf. </span><a href="http://br.radiovaticana.va/news/2017/03/21/papa__confession%C3%A1rio_n%C3%A3o_%C3%A9_lavandaria_onde_tirar_manchas/130004" style="background-color: rgb(255, 255, 255); text-decoration: underline;">http://br.radiovaticana.va/news/2017/03/21/papa__confession%C3%A1rio_n%C3%A3o_%C3%A9_lavandaria_onde_tirar_manchas/130004</a><span style="color: inherit;">3, acessado pela última vez em 21 de março de 2017).<br></span><span style="color: inherit;">    Ao fazer uma boa confissão e ao rezar, nestas </span><span style="color: inherit; font-weight: bold;">24 horas para o Senhor</span><span style="color: inherit;">, que possamos olhar para a figura de Cristo e ver n’Ele o ápice de toda a nossa vida e de nossa espiritualidade. Dessa forma celebraremos com alegria o domingo “laetare” da Quaresma.<br></span><span style="color: inherit;">    Que Deus abençoe a todos!</span></p><div><br></div>Mon, 27 Mar 2017 14:38:39 -0300Luz do mundohttps://cristoredentoroficial.com.br/noticias/luz-do-mundohttps://cristoredentoroficial.com.br/noticias/luz-do-mundo<p>    Após vivermos as “24 horas pra o Senhor” como tempo de conversão e oração, chegamos ao “domingo da alegria” dentro deste abençoado tempo. A Liturgia deste IV Domingo da Quaresma nos fortalece ainda mais nesta grande caminhada rumo à Páscoa. Coloca-nos nessas temáticas importantes: a unção, a cura do cego e a luz. Tudo dentro de uma caminhada de recuperação batismal. O batismo é “iluminação”, é enxergar a vida com novos olhos, é descobrir o amor de Deus e aceitar Jesus Cristo como Salvador. Este, de modo especial, é um ano em que a renovação da vida batismal é impregnada ainda mais pela liturgia quaresmal.<br><span style="color: inherit;">    A Primeira Leitura deste domingo é do livro de Samuel (1Sm 16,1b.6-7.10-13a). Nessa leitura vemos que Deus escolhe Davi para ser ungido e eleito por seu pai Jessé. É Davi o filho escolhido e o herdeiro da aliança.<br></span><span style="color: inherit;">    A Segunda Leitura nos anuncia (Ef 5,8-14): “Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Vivei como filhos da luz. E o fruto da luz chama-se: bondade, justiça, verdade”. (v.8-9). Eis o convite que o Apóstolo faz a todos nós, que vivamos na Luz do Senhor. Que possamos dissipar das trevas e encontrar o Senhor, que é a luz do mundo.<br></span><span style="color: inherit;">    No Evangelho de João (9,1-41) vemos se concretizar mais uma das catequeses batismais. As três grandes “catequeses batismais” do Evangelho de João que norteiam a liturgia na Quaresma deste ano são a história da Samaritana (Jo 4), a do cego de nascença (Jo 9) e a de Lázaro (Jo 11). Vemos aqui a perícope que fala do cego de nascença. Somos chamados, pelo batismo, a termos uma vida iluminada.<br></span><span style="color: inherit;">    Vemos um cego que está sentado, mendigando, do lado de fora do Templo (os cegos e coxos eram proibidos de entrar: 2Sm 5,8). Jesus passa, faz lama com a saliva, pega esta lama e passa nos olhos do cego, e depois o manda ir ao tanque de Siloé, perto dali. (O evangelista explica que Siloé significa “enviado”, termo com o qual Jesus se designa a Si mesmo: (9,7)). O cego executa o que Jesus pediu e volta enxergando.<br></span><span style="color: inherit;">    Começam então os comentários. Há quem não acredita no que os próprios olhos estão vendo: “será aquele que vivia mendigando na porta do templo? Não pode! Deve ser outro”. Mas o cego confirma: “Sou eu mesmo” (9,9). E quando perguntaram como ficou vendo, explica direitinho o que Jesus fez e lhe mandou fazer (9,11).<br></span><span style="color: inherit;">    O milagre da cura do cego havia acontecido em um dia de sábado. Devido a isso, os especialistas da religião concluem que Jesus realizou uma heresia, pois não podia ter feito este ato de curar em dia de sábado porque este dia é sagrado. O cego diz que Jesus é um profeta. Chamam, então, os pais do cego para dizer que ele nunca foi cego e muito menos curado da cegueira. Mas os pais, que não querem ser excluídos da comunidade, dizem que o cego pode responder por si (9, 17-22).<br></span><span style="color: inherit;">    Outra indagação é feita ao cego (9,24), para que ele negue a Jesus. Ironicamente, o cego vai responder que a única coisa que ele sabe é que era cego e agora está vendo. Os fariseus o interrogam novamente para saber que Jesus fez lama em dia de sábado. Mas o cego responde: “querem ouvir mais uma vez? Vocês também querem se tornar seus discípulos”? (9,27). E, finalmente, quando ele insiste que Jesus fez com a ajuda de Deus um milagre como nunca se viu, excluem-no da sinagoga (9,34).<br></span><span style="color: inherit;">    Por um lado, Jesus encontra o ex-cego no Templo (pois agora que ele não é mais cego pode, portanto, entrar no Templo) e lhe pergunta se ele tem fé no Filho do Homem (nome bíblico do enviado de Deus). O ex-cego responde: “quem é, para que eu acredite nele”? Jesus responde: “já o viste: é aquele que está falando contigo”. Para isso mesmo é que seus olhos foram abertos. Mas ele vê não somente com os olhos, ele vê também com o coração! Cai de joelhos e exclama: “Creio, Senhor” (9,38). Eis todo o itinerário de fé batismal!<br></span><span style="color: inherit;">    Por outro lado, Jesus diz: “Vim ao mundo para um julgamento, a fim de que os que não estavam vendo vejam, e os que veem se tornem cegos” (9,40). Os fariseus ouvem isso e percebem que Jesus diz isso para eles. “Então, nós é que somos cegos?”, perguntaram. Mas, com fineza extrema, Jesus responde: “Se vocês fossem cegos, até que não seriam culpados. Mas agora que dizem que veem, o pecado de vocês se confirma”... (9,41). O milagre de Jesus ilustra sua frase: “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8,12; 9,5).<br></span><span style="color: inherit;">    Fomos escolhidos para sermos ungidos e, com o sopro do Espírito, voltarmos a enxergar para poder ser anunciadores da luz que é Cristo Jesus como suas testemunhas. Vivamos com generosidade nossa vida cristã, nossa vida batismal cujas promessas iremos renovar no vigília pascal, no sábado santo.<br></span><span style="color: inherit;">    Este domingo “Laetare” nos anuncia a alegria da vida batismal que queremos viver intensamente. Peçamos ao Senhor que também nos cure de nossas cegueiras espirituais e materiais. Que Deus abra os nossos olhos para que possamos enxergar a Luz de Cristo e, assim, ao termos contato com essa “Luz”, possamos também ser para o outro “luz do mundo”!</span></p><div><br></div>Fri, 24 Mar 2017 14:39:04 -0300Ao encontro do irmãohttps://cristoredentoroficial.com.br/noticias/ao-encontro-do-irmaohttps://cristoredentoroficial.com.br/noticias/ao-encontro-do-irmao<p>    É tão difícil tomarmos a iniciativa de ir ao encontro de alguém que, por algum motivo um pouco mais sério, está afastado da gente, não é mesmo? Inventamos desculpas e até nos convencemos de que não é mais preciso contato com essa pessoa.<br><span style="color: inherit;">    Só que as inimizades não edificam ninguém, já parou para pensar? O evangelho deste domingo narra Jesus puxando conversa com uma samaritana. Ora, judeus e samaritanos eram historicamente inimigos há anos e não se falavam! Assim, o Senhor poderia continuar com a tal rixa. Ele até não estaria errado, porque, aos olhos de todos, não precisava falar com ela. Mas Ele sabia que poderia ir além... Por isso, deu o passo, causando surpresa:</span></p><p style="text-align: center; "><span style="font-weight: bold;">“A mulher samaritana disse então a Jesus: “Como é que tu, sendo judeu, pedes de beber a mim, que sou uma mulher samaritana?” Respondeu-lhe Jesus: “Se tu conhecesses o dom de Deus e quem é que te pede: ‘Dá-me de beber’, tu mesma lhe pedirias a ele, e ele te daria água viva”. (Jo 4, 9-10)</span></p><p>    O Senhor usou de humildade para se aproximar da mulher: pediu algo a ela, iniciando um diálogo. Mas, como ela estranhou, Ele decidiu contar que, se ela quisesse, Ele era a pessoa que lhe daria “água viva”. Um precisava do outro, naquele momento, ainda que pudesse parecer que não!<br><span style="color: inherit;">    Tantas vezes, alguém precisa de nós e nós desse alguém e orgulhos e outras desculpas nos afastam... Sequer damos início a um diálogo, que possa gerar alguma compreensão e acolhida... Só que é preciso entender que ninguém cresce adotando essa postura! Afinal, que pessoa nos tornaríamos se decidíssemos nos afastar de todos que pensam e agem diferente? Se sempre desistíssemos de quem considerássemos “difícil’? Que aprendizado teríamos? E se fôssemos nós os considerados “difíceis”? Precisamos lembrar que, ao nos relacionarmos com o outro, sempre pode haver trocas muito positivas!<br></span><span style="color: inherit;">    Este tempo da Quaresma é propício para a reconciliação. Com Deus e com os irmãos. Ir ao encontro de alguém que, por motivo sério ou mágoa, se afastou é uma boa prática de caridade.</span></p><p><br></p>Mon, 20 Mar 2017 15:48:26 -0300Patrono Universal da Igrejahttps://cristoredentoroficial.com.br/noticias/patrono-universal-da-igrejahttps://cristoredentoroficial.com.br/noticias/patrono-universal-da-igreja<p>    No dia 19 de março celebramos a solenidade de São José, Esposo de Maria e Patrono Universal da Igreja. Como em 2017 este dia cai no domingo, quando celebramos o III Domingo da Quaresma, a solenidade é transferida para a segunda-feira, dia 20.<br><span style="color: inherit;">    São José, a vós nosso amor! Ele merece todo o nosso reconhecimento e a nossa devoção, pois soube proteger a Virgem Santa e o Filho de Deus, Jesus. O ser guardião da Sagrada Familia é a característica de José, é a sua grande missão: ser protetor, patrono da igreja. É assim que ele expressa o seu amor à sua esposa e ao seu Filho adotivo.<br></span><span style="color: inherit;">    São José é chamado de Padroeiro Universal da Igreja Católica, presente no mundo inteiro. Por que razão São José se tornou um santo querido e com muita veneração popular? Porque ele foi escolhido pelo Pai Eterno para ser o guarda fiel e providente dos Seus maiores tesouros: o filho de Deus e a Virgem Maria. Esta missão ele a cumpriu com muita dedicação e fidelidade.<br></span><span style="color: inherit;">    A primeira lição que São José nos dá é a proximidade com o menino Jesus. José carregou Jesus, Filho de Deus, nos braços! Ele teve proximidade e intimidade com Jesus, do qual é Pai adotivo, pois era um “homem justo”. Estar com Jesus é contagiar-se com a santidade, pois Deus é santo. A segunda lição que podemos aprender com São José é a do silêncio. José é chamado o santo do silêncio. O Evangelho não registra nenhuma palavra dita por ele. Viveu a santidade na simplicidade, na humildade e no silêncio de Nazaré. Aprendamos a cultivar a estima pelo silêncio, essa admirável e indispensável condição do espírito. Somos, hoje, assediados por tantos clamores, ruídos e gritos da vida moderna barulhenta e estressante. Necessitamos escutar o Senhor no silêncio de nosso coração.<br></span><span style="color: inherit;">    O silêncio de Nazaré ensina-nos o sentido do recolhimento, da interioridade e da disposição para escutar a Deus e aos irmãos.   Assim como nos capacitamos para falar bem, devemos, também, nos capacitar para escutar bem as pessoas. É o que nós chamamos de escuta empática: sentir o que o outro sente.  São José, o homem do silêncio! O Evangelho só nos diz isto dele: Era um homem justo. Sendo sóbrio em palavras, o Evangelho é ainda mais sóbrio do que de costume ao falar de São José. Dir-se-ia que este homem, envolto em silêncio, inspira silêncio. O silêncio de São José produz silêncio ao redor de São José.<br></span><span class="Apple-tab-span" style="color: inherit; white-space: pre;">    </span><span style="color: inherit;">A terceira lição é a vida familiar. Notamos em José uma presença atenta, carinhosa e permanente junto a Maria e ao Menino Jesus. Era sua missão: proteger e guardar com fidelidade a Sagrada família. Foi admirável a coragem de José em deixar tudo e seguir para o Egito a fim de proteger o Menino Jesus.<br></span><span style="color: inherit;">    São José é o protetor da Igreja que peregrina em todo o orbe. Confiemos aos seus cuidados a unidade da Igreja, as ordens e os movimentos religiosos, as famílias. E ele as guardará. Confiemos ao pai adotivo de Jesus ainda muitos outros, como os jovens e as crianças, para que não sejam arrastados pela maldade do mundo, mas caminhem segundo os planos de Deus.<br></span><span style="color: inherit;">    Na História da salvação coube a São José dar a Jesus um nome, fazendo-O descendente da linhagem de Davi, como era necessário para cumprir as promessas divinas. O Anjo disse-lhe: “Ela dará à luz um filho e tu o chamarás com o nome de Jesus, pois ele salvará o seu povo dos seus pecados”. (Mt 1,21)<br></span><span style="color: inherit;">    São José, tal como a Virgem Maria, com o seu “sim” a Deus, no meio da noite preparou a chegada do Salvador. Deus Pai contou com ele e não foi decepcionado. Ele foi fiel! Que o Altíssimo possa contar também conosco. Cada um de nós tem uma missão a cumprir no plano divino. E o mais importante é dizer “sim” a Deus, como São José. “Despertando, José fez como o Anjo do Senhor lhe havia mandado” (Mt 1,24).<br></span><span style="color: inherit;">    Ele é ainda conhecido como São José operário, pois uma das identidades de José foi o trabalho. Por isso, é também patrono dos Artesãos e daqueles que ganham o pão com o suor do rosto. Este apelido de José nos lembra que o trabalho é parte da identidade humana.<br></span><span style="color: inherit;">    O trabalho dignifica o homem e aperfeiçoa a obra criadora de Deus. O amor ao trabalho ajuda moldar o caráter das pessoas. Deus criou o homem à sua imagem e semelhança e o colocou no mundo para ser o senhor da criação e administrá-la com seu trabalho. Nesse sentido, o trabalho é instrumento de santificação do homem, transformação do mundo e glorificação de Deus. Lembrai-vos de nós, São José! Intercedei com orações junto de vosso Filho adotivo para que não faltem postos de trabalho e vida para todos!<br></span><span style="color: inherit;">    Portanto, celebrar a festa de São José é celebrar a santidade, a espiritualidade, o silêncio profundo e fértil. O pai adotivo de Jesus entrou mudo e nos deixou o Salvador pronto para começar a Sua missão.<br></span><span style="color: inherit;">    São José, “sede nosso bom protetor, aumentai o nosso fervor”. </span></p><p><br></p>Sat, 18 Mar 2017 17:41:21 -0300Água Vivahttps://cristoredentoroficial.com.br/noticias/agua-vivahttps://cristoredentoroficial.com.br/noticias/agua-viva<p>    No III Domingo da Quaresma, o grande tema que nos conduz é a água, símbolo da vida. Como caminhamos para a Páscoa e para renovar as nossas promessas batismais, o tema da água tem tudo a ver. A 1ª Leitura (Ex 17, 3-7) nos fala da água que brota da rocha golpeada por Moisés para saciar a sede do povo no deserto. Moisés dá de beber a seu povo. É imagem de Cristo, que no futuro dará a água viva, que é o Espírito Santo. Na 2ª Leitura (Rm 5, 1-2. 5-8) São Paulo faz uma releitura significativa: Do Cristo morto e ressuscitado brota o Espírito como rio de água viva. “O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito que nos foi dado”. (Rm 5, 5)<br><span style="color: inherit;">    No Evangelho (Jo 4, 5-42), Jesus pede e oferece água à Samaritana. Jesus, cansado da caminhada, sentou-se junto ao poço de Jacó. Quando se aproximava a mulher, Jesus lhe pede: “Dá-me de beber”. E estabelece-se o diálogo. Jesus apresenta-Se como água viva. Quem beber dessa água nunca mais terá sede. É a água que jorra para a vida eterna. Quando a mulher lhe pede dessa água, para que não mais precise buscá-la no poço, Jesus penetra mais fundo na alma dessa mulher: “Vai, chama o teu marido e volta aqui”. Ela, por sua vez, reconhece que não tem marido. Jesus a valoriza, louvando sua sinceridade, e a mulher O reconhece como um profeta. Jesus, a partir dessa sua fé incipiente, revela-lhe que é o Messias. E a Samaritana abandona o “Velho balde” e corre para a cidade, para anunciar ao povo a verdade que tinha encontrado.<br></span><span style="color: inherit;">    O pedido de Jesus à Samaritana: “Dá-Me de beber” (Jo 4, 7), que é proposto na liturgia deste III Domingo da Quaresma, exprime a paixão de Deus por todos os homens e quer suscitar no nosso coração o desejo do dom da “água a jorrar para a vida eterna” (v. 14): é o dom do Espírito Santo, que faz dos cristãos “verdadeiros adoradores” capazes de rezar ao Pai “em espírito e verdade” (v. 23). Só esta água pode extinguir a nossa sede do bem, da verdade e da beleza!<br></span><span style="color: inherit;">    “Dá-me de beber” (Jo 4,7) é a expressão daquilo que todo ser humano tem: sede de Deus, que pode ser saciada: aqui pela graça e no céu pela glória. </span><span style="color: inherit;">A leitura atenta descobre facilmente a importância da água para São João. É somente nesse Evangelho que nós lemos o relato das bodas de Caná, onde Jesus transforma a água em vinho (cfr. Jo 2,1-12); no capítulo seguinte, encontramos aquela afirmação que sempre nos comove: “quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus” (Jo 3,5); depois a passagem deste domingo, que nos relata o encontro de Jesus com a Samaritana (cfr. Jo 4,1-42); era também pelo movimento da água que os enfermos eram curados na piscina de Betesda (cfr. Jo 5,1-18). De fato, o Catecismo da Igreja Católica afirma que o simbolismo da água significa a ação do Espírito Santo, que brota do lado aberto de Cristo crucificado (cfr. Cat 694).<br></span><span style="color: inherit;">    O Senhor prometia à mulher saciá-la com o Espírito Santo. Mas ela ainda não compreendia e disse-lhe: “Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede e nem tenha de vir aqui para tirá-la” (Santo Agostinho). A transformação que a graça opera na Samaritana é maravilhosa! O pensamento dessa mulher centra-se agora somente em Jesus e, esquecendo-se do motivo que a tinha levado ao poço, deixa o seu cântaro e dirige-se à aldeia para comunicar a sua descoberta! “Os Apóstolos, quando foram chamados, deixaram as redes; a Samaritana deixa o seu cântaro e anuncia o Evangelho, e não chama somente um, mas põe em alvoroço toda a cidade” (Hom. sobre São João, 33). Toda conversão autêntica projeta-se necessariamente para os outros, num desejo de torná-los participantes da alegria de se ter encontrado com Jesus. É o encontro com o Senhor que nos faz anunciá-Lo aos quatro cantos com entusiasmo e alegria.<br></span><span style="color: inherit;">    É interessante o final do Evangelho deste domingo: “Muitos samaritanos daquela cidade abraçaram a fé em Jesus por causa da palavra da mulher que testemunhava”, ou seja, alguém que sai anunciando as Boas-novas entusiasma outros ao seguimento de Jesus. Aqui temos um dos segredos da evangelização. Porém, o passo seguinte é ainda mais significativo, pois, além de pedir para que Jesus permanecesse com eles, disseram à mulher: “Já não cremos por causa das tuas palavras, pois nós mesmos ouvimos e sabemos que este é verdadeiramente o salvador do mundo”! Ou seja, agora eles mesmos fizeram a experiência e encontraram o Senhor. É o passo da maturidade que já não depende do testemunho de outrem, mas encontrou o Senhor e se torna sua testemunha.<br></span><span style="color: inherit;">    Portanto, olhemos para Jesus, aproximemo-nos dele, o Rochedo que, ferido na cruz, de lado aberto, faz jorrar a água do Espírito para o seu povo peregrino e sedento. O mundo, tão sedento, procura matar a sede em tantas águas contaminadas, envenenadas, águas que matam! Que nós saciemos nossa sede no Cristo, o Rochedo, que jorra a água do Espírito, que dura para a vida eterna! </span></p><div><br></div>Fri, 17 Mar 2017 17:32:36 -0300Os jovens e a confissãohttps://cristoredentoroficial.com.br/noticias/os-jovens-e-a-confissaohttps://cristoredentoroficial.com.br/noticias/os-jovens-e-a-confissao<p style="text-align: center; "><span style="font-style: italic;">Catequese quaresmal - 3</span></p><p><br></p><p><span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"> </span>Um dos belos temas que o Papa Francisco tem insistido é sobre o Sacramento da Reconciliação. Após o Ano da Misericórdia, a insistência continua para que os cristãos façam experiência do amor misericordioso de Deus no Sacramento da Reconciliação. É muito belo ver o exemplo de uma juventude de fé que reza e se aproxima deste sacramento. Neste nosso terceiro encontro, em que quero manifestar todo meu afeto por todos os jovens que trabalham nas pastorais, movimentos e associação, e às vésperas do “24 horas para o Senhor” e durante este tempo de “mutirões de confissões”, queremos aprofundar um pouco mais a respeito do Sacramento da Penitência e louvar a Deus pela participação do jovem na busca deste Sacramento.<span class="Apple-tab-span" style="color: inherit; white-space: pre;"> </span><span style="color: inherit;">O específico do Sacramento da Penitência, em sua forma atual, consiste formalmente no fato de ele fazer parte da confissão pessoal e concreta dos pecados e que, em vista dessa confissão, o clérigo autorizado concede a absolvição. A isso corresponde o próprio Sacramento da Penitência em seu conteúdo: nele se unem elementos do juízo e da reconciliação. O Sacramento da Penitência é sinal realizador do juízo divino da graça para a reconciliação do pecador na comunhão da Igreja.<br></span><span class="Apple-tab-span" style="color: inherit; white-space: pre;"> </span><span style="color: inherit;">O objetivo do Sacramento da Penitência é reconciliação, e isso no mencionado triplo sentido: reconciliação com Deus, que significa, simultaneamente, a redenção do afastamento de Deus; reconciliação com os semelhantes, que supera o abismo causado pela negação do amor; reconciliação do ser humano consigo mesmo, como superação da autoalienação dada com cada pecado. O nível teológico e o nível social estão intimamente inter-relacionados: a reconciliação acorre na reconciliação com a Igreja. Essa fórmula clássica da teologia da penitência mostra a estrutura básica de todos os Sacramentos: nas relações humanas acontece a proximidade transformadora de Deus.<br></span><span class="Apple-tab-span" style="color: inherit; white-space: pre;"> </span><span style="color: inherit;">A palavra que anuncia a reconciliação deve ser acolhida no coração humano para que possa dar fruto. A resposta do homem é chamada comumente de conversão, ou seja, de volta. Não há reconciliação sem a iniciativa de Deus, mas também não há sem a resposta do homem. O Sacramento da Penitência supõe essencialmente um diálogo. <br></span><span class="Apple-tab-span" style="color: inherit; white-space: pre;"> </span><span style="color: inherit;">No Antigo Testamento, sofrimento e culpa, mas também perdão e salvação se encontram em relação íntima. Isto já o ilustram as narrativas da queda na proto-história bíblica (cf. Gn 3; 4,1-16; 6-8; 11,1-9). O nexo entre culpa e destino está bem claro para os profetas: porque os ricos em Israel exploraram os pobres, vivem despreocupadamente no luxo e não se importam com a ruína do povo, “por isso agora têm que ir para o exílio” (Am 6,7). Porque Israel abandonou o seu Deus, “fonte da água viva”, por isso tem que agora viver com as cisternas rachadas que cavam para si mesmos: “Teu mau procedimento te castiga” (cf. Jr 2, 13.19). Da mesma forma estão ligadas entre si a salvação do exílio, a transformação interior e uma nova relação com Deus. Em Ezequiel, a transformação é descrita com as metáforas da purificação com água limpa, da concessão de um coração novo, da abertura dos sepulcros, da reunião das ossadas, da revivificação pelo sopro de Deus.<br></span><span style="color: inherit;">        No Novo Testamento, o sinal sacramental clássico para a conversão e perdão dos pecados é o Batismo. Por ele também está caracterizada a “nova vida” dos batizados: eles “morreram com Cristo”, para com Ele ressuscitarem (cf. Rm 6, 4.8).  Jesus tornou-se, em pessoa, a expiação de todos os pecados, “instrumento de propiciação por seu próprio sangue”. (Hb 3,25)<br></span><span style="color: inherit;">        O Sacramento da Penitência é constituído de três atos do penitente e da absolvição dada pelo sacerdote. Os atos do penitente são o arrependimento, a confissão ou manifestação dos pecados ao Sacerdote e o propósito de cumprir a penitência e as obras de reparação. A Igreja tem em seu mandamento que devemos confessar pelo menos uma vez no ano, por ocasião da festa da Páscoa da Ressurreição. <br></span><span style="color: inherit;">        Este tempo de Quaresma é propício para isto. Quantos jovens buscam este Sacramento! Nos últimos anos, tenho visto um grande número de jovens em nossa Arquidiocese ir em busca deste Sacramento. Quantos vão aos mutirões de Confissão realizados em nossas paróquias durante este tempo de Quaresma! Quantos ainda ao longo do ano buscam este Sacramento para estar em comunhão com Deus, a Igreja e com ele mesmo! E para aqueles jovens que estão afastados deste Sacramento, eis o tempo, eis o momento de se aproximar do Senhor, que os acolhe de braços abertos. <br></span><span style="color: inherit;">        A você jovem, coragem, pois Deus o ama, Deus o chama a ser um discípulo e missionário. Que o exemplo da alegria de tantos jovens reconciliados pelo Sacramento da Penitência contagie tantos outros para entrarem nesse caminho de conversão e de vida. Somos embaixadores que convocam a todos: reconciliai-vos com Deus! Eis o tempo favorável!</span></p><div><br></div>Thu, 16 Mar 2017 13:21:59 -0300Pedidos de paz aos pés do Cristo Redentorhttps://cristoredentoroficial.com.br/noticias/pedidos-de-paz-aos-pes-do-cristo-redentorhttps://cristoredentoroficial.com.br/noticias/pedidos-de-paz-aos-pes-do-cristo-redentor<div><span style="color: inherit; font-style: italic;">* Por Aline Soares com Nice Affonso</span><span style="color: inherit;">    </span><br></div><div><br></div><div>    Envoltas pela névoa, no alto do Corcovado, com trajes brancos, pessoas preocupadas com a situação da Síria— em guerra há seis anos — se colocaram diante do Cristo Redentor para, juntas, fazerem um pedido simples e sincero: “queremos paz”. Assim começou a manhã desta quarta-feira, 15 de março, no Maior Santuário a Céu Aberto do mundo, com o evento “Ato pela Paz”, promovido pela ONG IKMR e pelo Movimento Amor Sem Fronteiras. A cerimônia contou com a presença do Arcebispo Metropolitano, Cardeal Orani João Tempesta, do reitor do Santuário Cristo Redentor, Padre Omar Raposo, da representante do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados no Brasil, Isabel Marquez, do Secretário Nacional do Ministério da Justiça e Cidadania e Presidente do Comitê Nacional para Refugiados, Gustavo Marrone e reuniu artistas e crianças refugiadas, que lembraram as dores e dificuldades causadas pela guerra. </div><div><span style="color: inherit;">    — Muitas vezes, ao redor do mundo, pode parecer que não estamos vendo com clareza esta solidariedade, mas, no momento em que a névoa passa e o sol brilha podemos ver de novo, com toda a clareza, a solidariedade de uns para com os outros, disse Dom Orani.</span></div><div>    — Hoje, o Cristo Redentor se integra a esta bela perspectiva: somos solidários, amigos, e queremos sempre dar visibilidade a belas iniciativas como esta! Que o Redentor nos proteja, nos abençoe, abençoe todas as famílias que se encontram desamparadas e todas as vítimas da guerra, da dispersão e do egoísmo humano, desejou Padre Omar. </div><div>    O Secretário Nacional do Ministério da Justiça e Cidadania e Presidente do Comitê Nacional para Refugiados, Gustavo Marrone, ressaltou a importância da continuidade do processo de acolhimento das crianças refugiadas:</div><div>    — É importante que a gente procure não só receber essas crianças, mas, também, integrá-las a nossa sociedade, para que elas possam viver, de alguma forma, igual a todos nós, lembrou.</div><div>    A coordenadora do projeto e fundadora da ONG IKMR, Viviane Reis, convidou os jornalistas presentes a fazerem uma reflexão sobre o momento histórico que estas crianças vivenciam. </div><div>    — Eu fico aqui pensando sobre estas crianças: ‘que bom que você conseguiu chegar aqui, você conseguiu escapar’. As estatísticas horríveis que vocês veem nos jornais, que tantos de vocês publicam, aconteceram com várias das crianças que estão aqui. Hoje é dia de voltarmos nosso olhar para esse povo, para nós mesmos, e pensarmos de que forma podemos atuar de verdade e criar condições para que estas pessoas sejam tratadas com dignidade, questionou.</div><div>    Muitos artistas, como Flávia Alessandra, Bruna Marquezine, Cássia Kiss e Malu Mader, com seus depoimentos, reforçaram a mensagem de união e solidariedade do Ato pela Paz. A emoção bateu à porta de muitos corações.  </div><div>    — Eu me envolvi com a causa há mais de um ano, numa apresentação do coral. Eu fiquei muito impactada, foi muito emocionante. E, como hoje, mexeu muito comigo. Não tive como não me envolver! É bom lembrar que não é uma data muito feliz, é uma data triste, mas acho muito importante”, contou Bruna Marquezine.</div><div>    — Como a gente entende a importância que é uma criança com uma cabecinha bem formada, fazendo parte da sociedade, integrada à ela, a gente pode imaginar todo tipo de preconceito que elas (as crianças refugiadas) venham a sofrer... Então, que a gente possa conseguir trazer para essas crianças a vida de uma forma menos anormal possível; elas já deixaram seus lares, seus familiares... Que a gente possa acolher e trazer um pouco mais de carinho para elas, sugeriu Flavia Alessandra, integrante do Movimento Amor Sem Fronteiras.  </div><div>    Os cantores Elba Ramalho, Maria Gadú e Tiago Iorc encheram os corações dos presentes de compaixão e misericórdia ao unirem suas vozes às do Coro Infantil Coração Jolie, representado por 35 crianças refugiadas de 12 países ao redor do mundo – entre eles, Síria, Iêmen, Irã, República Democrática do Congo e Sudão do Sul. Todos os presentes não puderam deixar de reparar o tanto que os olhinhos daqueles meninos e meninas brilhavam ao compartilharem aquele momento cantando “O sol”, “Aquarela”, “Vamos construir” e “Paz pela paz”.</div><div><br></div><p><br></p><p></p><p><br></p><p>* Fotos: Tânia Rego / Agência Brasil<br></p>Wed, 15 Mar 2017 19:03:38 -0300Vivência da fé em famíliahttps://cristoredentoroficial.com.br/noticias/vivencia-da-fe-em-familiahttps://cristoredentoroficial.com.br/noticias/vivencia-da-fe-em-familia<p style="text-align: center;"><span style="font-style: italic;">Catequese quaresmal - 2</span></p><p><br></p><p>    Continuando as catequeses quaresmais e enfocando a nossa missão junto à juventude, vamos salientar a importância da família cristã na vivência e transmissão da fé. Sabemos que o lar é a primeira escola de enriquecimento humano.  Segundo o Catecismo da Igreja Católica, “a família cristã é uma comunhão de pessoas, vestígio e imagem da comunhão do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. ( n. 2205)<br><span style="color: inherit;">    A família cristã é o espaço de vivência do Evangelho: pois dentro dela os filhos aprendem a conhecer a Palavra de Deus; aprendem a rezar, a partilhar e a perdoar. Pais e mães cristãos têm consciência de que são os primeiros educadores de seus filhos na fé e sabem que não podem delegar a tarefa da educação, em especial a religiosa, nem ao estado e nem só ao padre ou ao catequista. São João Paulo II declarou que a família missionária é a esperança do novo milênio.<br></span><span style="color: inherit;">    É um recado grave para nós. A família não pode se fechar sobre si mesma! Pais, mães e filhos devem sair para fora dos limites de seus lares para santificar seus vizinhos, sua rua, seu bairro. Participar de suas comunidades paroquiais para, junto com outras famílias, mudar estruturas, corações e mentalidades, testemunhando a beleza do Evangelho e a atualidade da missão do testemunho cristão. Colaborar, em última análise, na implantação do Reino de Deus na Terra.<br></span><span style="color: inherit;">    É no ambiente familiar que conhecemos nossos primeiros valores e recebemos as primeiras regras sociais. Aprendemos a perceber o mundo, damos início à nossa identidade e somos introduzidos no processo de socialização.  Por isso, é tão comum que nos comportemos como quem nos criou, como nossos pais e avós, trazendo traços da personalidade e atitudes muito semelhantes.<br></span><span style="color: inherit;">    Sendo a família a célula vital da sociedade, o amor conjugal vivido em comunhão familiar é o seu núcleo estruturante. É importante termos casais robustos para a solidez das famílias. Este é um dos aspectos que se tem manifestado positivo na crise que vivemos: o testemunho de famílias consistentes, alegres e felizes é para muitos o grande suporte nas contrariedades, na doença, no desemprego, nos recursos escassos e em tantas outras dificuldades.<br></span><span style="color: inherit;">    Neste ambiente de tão grande complexidade, torna-se imperativo reestruturar a família e, ao mesmo tempo, reafirmar os seus valores humanos e teológicos para quantos desejam viver em família segundo o projeto de Deus; ter Nele a referência para a felicidade que na família todos procuram. A família cristã deve ser testemunha da fé que professa e vive, testemunha do Amor de Deus nos pequenos e grandes acontecimentos da sua vida.<br></span><span style="color: inherit;">    A família está chamada a ser a “igreja doméstica”. Se na Igreja nós encontramos com Deus, na família esse encontro precisa ser aprofundado, alimentado, transmitido para as novas gerações. A família é o lugar privilegiado, no qual a Igreja espera que se dê a transmissão da fé. É uma missão importantíssima. “Evoco a lembrança da fé sem hipocrisia que há em ti, a mesma que habitou primeiramente em tua avó Lóide e em tua mãe Eunice e que, estou convencido, reside também em ti”. (2Tim 1, 5)<br></span><span style="color: inherit;">    O jovem precisa ter uma convicção interior: “o encontro com Cristo é verdadeiro, e experimento que quero cada vez mais segui-Lo”. A partir disso, é ele quem começa a transformar a realidade que o rodeia, e não o contrário. Se a família não é aquilo que deveria ser, ele, lutando para ser um bom cristão, buscará maneiras de que isso possa ir mudando pouco a pouco. Respondendo ao egoísmo com generosidade, à soberba com humildade, à falta de caridade com o perdão, sendo obediente mesmo quando custe, e assim por diante. Enfim, sendo um bom cristão.<br></span><span style="color: inherit;">    É necessário, porém, saber que o jovem deve sempre em sua família buscar as orientações dos seus pais e avós. A melhor herança que os familiares podem deixar a seus filhos é a boa educação e uma autêntica e completa educação católica. Esta educação também perpassa pela fé, que é um dom de Deus. Por isso, neste tempo da Quaresma e nesta época de preparação para o Sínodo sobre a Juventude, agradeçamos a Deus pelas famílias e por todos os que estão ao redor e cooperam na formação integral do jovem.<br></span><span style="color: inherit;">    Caríssimo jovem, o seu batismo e a sua fé católica são o maior tesouro que a sua família pode lhe oferecer. Por isso, viva a sua fé em comunidade e a testemunhe com a alegria do anúncio do Evangelho da misericórdia!</span><span class="Apple-tab-span" style="color: inherit; white-space: pre;"> </span></p><div><br></div>Wed, 15 Mar 2017 17:27:26 -0300Jovens e transmissão da fé https://cristoredentoroficial.com.br/noticias/jovens-e-transmissao-da-fehttps://cristoredentoroficial.com.br/noticias/jovens-e-transmissao-da-fe<p style="text-align: center; "><span style="font-style: italic;">Catequese quaresmal - 1</span></p><p style="text-align: center; "><span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre; font-style: italic;"> </span></p><p>    Iniciamos na Quarta-feira de Cinzas o Tempo Quaresmal de 2017. Estamos a caminho da Páscoa, refazendo a trajetória do Êxodo. Este é o tempo da conversão e da grande reflexão para melhor colocar o nosso coração e as nossas intenções em Deus. Ao longo deste período, como fizemos no ano passado, dedico as catequeses quaresmais aos jovens, dentro do contexto do tema proposto pelo Papa Francisco para o próximo Sínodo, que vai tratar da nossa amada juventude.<br><span style="color: inherit;">    Nesta primeira catequese, fazendo a memória de nossos pais e avós, tão lembrados pelo Papa Francisco, quero falar da importância do papel dos pais e dos avós na transmissão da fé a seus filhos e netos. Essa transmissão da fé podemos caracterizar como missão.<br></span><span style="color: inherit;">    A missão é parte constitutiva da identidade da Igreja, chamada pelo Senhor a evangelizar todos os povos. Sua razão de ser e agir como fermento e como alma da sociedade, que deve renovar-se em Cristo e transformar-se em família de Deus. Por isso, a missão deve, antes de tudo, animar a vocação missionária dos cristãos, fortalecer as raízes de sua fé e despertar sua responsabilidade para que todas as comunidades cristãs ponham-se em estado de missão permanente. Trata-se de despertar, nos cristãos, a alegria e a fecundidade de serem discípulos de Jesus Cristo, celebrando com verdadeiro gozo o “estar-com-Ele” e o “amar-com-Ele”, para serem enviados para a missão. É a vida do discípulo missionário, que nos orientou o documento de Aparecida da V Conferência.<br></span><span style="color: inherit;">    A missão nos leva a viver o encontro com Jesus num dinamismo de conversão pessoal, pastoral e eclesial, capaz de impulsionar à santidade e ao apostolado os batizados e de atrair os que abandonaram a Igreja, os que estão distantes do influxo do Evangelho e os que ainda não experimentaram o dom da fé.<br></span><span style="color: inherit;">    A juventude tem sido caracterizada por diferentes visões. Para muitos estudiosos da sociologia, da psicologia e da antropologia, esse é o momento primordial para as relações da vida em grupo, para a relação entre os grupos de iguais e para as profundas buscas e experiências que interferem nos resultados de encontros, desencontros, inseguranças, curiosidades, medos, confusões, indefinições, mudanças, crises e crescimentos. Devemos olhar para a juventude como um momento da vida em que se intensificam os questionamentos, discernimentos, entendimentos, sonhos. Tomemos cuidado para não cobrar da juventude algo que ainda não é possível de ser oferecido, bem como desacreditar em suas potencialidades.<br></span><span style="color: inherit;">    A realidade nos mostra que um grande número de jovens é interessado pela comunidade cristã e se prepara com esmero para os sacramentos, em especial para o Sacramento da Crisma, mas nem todos perseveram. É urgente pensarmos em algo que seja mais contínuo para a participação dos jovens na vida eclesial e, nesse sentido, o grande trabalho da “iniciação cristã” se insere de modo claro e necessário. Nas realidades a que temos assistido, nas comunidades por onde temos passado em missão, seja para cursos, seja para uma animação da pastoral Bíblico-Catequética, vemos a preocupação dos catequistas com muitos jovens que não estão iniciados à vida cristã. Alguns, quando procuram, não encontram respaldo, não se tem o que oferecer a eles, e há centenas de jovens que nem atentos para isso estão. Temos muitas ovelhas que não estão no aprisco e que é necessário atingir.<br></span><span style="color: inherit;">    A evangelização com jovens deve ser feita de momentos de interação que possibilitem o encontro com os outros, a partir da vivência da fé na vida em comunidade, e que os ajudem a fazer a experiência do Deus de Jesus Cristo. Não passar por cima das questões relativas à sexualidade, mas abordar com aquilo que a fé cristã pode oferecer para ajudar os jovens a aprimorarem e a amadurecerem sua sexualidade; não simplesmente com moralismos e interditos, mas como um caminho para a maior felicidade, ao esclarecer o uso mercadológico que é feito da exacerbação do sexo e as consequências disso na vida.<br></span><span style="color: inherit;">    Os jovens de hoje vivem com urgência a busca de sentido que dê respostas às questões fundamentais do ser humano. Essa busca, e sua abertura experiencial ao religioso, são duas perspectivas que deverão ser tidas em conta na catequese, já que potenciam o caráter pessoal e personalizador que deve ter o ato de fé, sem menosprezo dos componentes racionais e institucionais da mesma fé.<br></span><span style="color: inherit;">    Os jovens são de suma importância para Igreja, pois a Igreja busca a cada dia evangelizá-los com muito amor e carinho. Quantos jovens em nossas paróquias assumem lideranças, quantos jovens estão à frente dos ministérios de música, ou ainda quantos jovens estão empenhados no setor da juventude! São vários jovens, e a eles damos graças por estarem na caminhada, e que estes busquem se espelhar em Cristo Jesus. Assim, como Cristo foi fiel ao Pai, que também vocês possam fazer o mesmo.<br></span><span style="color: inherit;">    Portanto, a catequese bem feita ajuda os jovens a sentirem-se incomodados, inquietos com a realidade social que os cerca, cheia de injustiças, discriminações e atentados à vida, e, a partir disso, leva-os a uma atitude de solidariedade, de compaixão ativa e de compromisso com o bem, com a verdade, a justiça e a vida, como fez Jesus. A educação da fé que aponta para o compromisso com a transformação da sociedade conduzirá o jovem para a realização do seu “ser jovem”, como agente transformador e protagonista dentro de uma sociedade que nem sempre o acolhe. Com isso, a catequese tem este papel de unir fé e vida, formando cidadãos do Reino, discípulos jovens que sejam apaixonados e seguidores de Jesus. É claro que terminado o período catequético dos jovens, cada paróquia deve oferecer momentos de oração, retiros, encontros e louvores para estes. Podemos citar como o grande exemplo desta expressão jovem na e da Igreja a Jornada Mundial da Juventude. Aqui no Rio de Janeiro, na JMJ 2013, foi marcante a presença e a Evangelização dos Jovens. Eles deram vivo testemunho da fé católica e demonstraram como é possível viver publicamente o que o Evangelho pede, sem renunciar ao que proclama a Mãe Igreja.<br></span><span style="color: inherit;">    Esta é a grande missão dos pais e avós: transmitirem a fé que receberam de seus antepassados na integralidade proclamada pela Igreja. Assim cremos e assim deveremos testemunhar o seguimento cristão!</span></p><div><br></div>Tue, 14 Mar 2017 17:25:03 -0300Dom da vocação presbiteralhttps://cristoredentoroficial.com.br/noticias/dom-da-vocacao-presbiteralhttps://cristoredentoroficial.com.br/noticias/dom-da-vocacao-presbiteral<p>    Neste mês, iniciamos o tempo de formação dos nossos seminaristas nos quatro seminários arquidiocesanos. Pudemos celebrar juntos a Quarta-feira de Cinzas, fazer a investidura do hábito talar com sobrepeliz para o uso litúrgico aos que entram neste ano no Seminário Maior São José, e celebrar a conclusão das três semanas de convivência e do retiro dos propedeutas. De minha parte sempre é um canto de louvor a Deus, testemunhando a Sua ação na vida desses jovens que deixam tudo para servir aos irmãos e irmãs por causa de Cristo. Realmente, testemunhar isso é constatar a presença de Deus na história da vida das pessoas. Sempre é um momento de grande alegria!<br><span style="color: inherit;">    Sirvo-me da reflexão que fez o Papa Francisco quando se encontrou, em 10 de dezembro de 2016, com os seminaristas e formadores do Pontifício Seminário Pio XI da Região da Apúlia (Puglia). Tem o texto oficial que o Papa entregou aos formadores e o que ele fez de improviso, falando de coração. Deste seu discurso, gostaria de refletir alguns itens recordando o grande dom da vocação ao sacerdócio ministerial diocesano, que estamos testemunhando neste mês de março. Embora tenham sido pronunciadas em dezembro de 2016, a meu ver são palavras bastante atuais, especialmente para a reflexão quaresmal do clero e dos que se preparam para o ministério ordenado, reiniciando suas vidas de formação em nossos seminários.<br></span><span style="color: inherit;">    O Papa, além de recordar do exemplo e fazer memória da religiosa e do sacerdote exemplar, como sempre gosta de concretizar suas ideias, ele coloca alguns pontos importantes para nossas vidas: o seminário como lugar de formação dos futuros presbíteros, a graça da memória eclesial, a proximidade com o povo a exemplo do Verbo Encarnado, o perigo de descuidar da paróquia, a oração diante do Santíssimo Sacramento, a fé no Espírito Santo e outras atitudes.<br></span><span style="color: inherit;">    O seminário forma um pai para a comunidade: o Santo Padre afirma que ali é um lugar privilegiado de formação dos novos clérigos. Formação que há de ser bem dada para os padres cada vez mais errarem menos, pois os erros de um padre valem muito na mídia; os escândalos ganham ampla e rápida repercussão manchando a face humana da Igreja e, por vezes, obscurecendo o seu aspecto divino, o que é muito triste.<br></span><span style="color: inherit;">    No entanto, não basta evitar o erro, é preciso que a vida do padre seja fecunda. Para isso não basta termos um “bom sacerdote que segue todas as regras. Não, não. Que dê vida aos outros! Que seja pai de uma comunidade. Um sacerdote que não é pai não serve”. “A paternidade da vocação pastoral: dar vida, fazer crescer a vida; não descuidar da vida de uma comunidade”. “E fazê-lo com coragem, com força, com ternura”.<br></span><span style="color: inherit;">    A graça da “memória eclesial”: importa a cada seminarista ou padre ter presente que a Igreja não começou com ele, nem terminará com ele. Afinal, ele é um elo, importante, sim, mas um elo – no presente – entre o passado e o futuro, olhando o bom exemplo dos antecessores. Com efeito, fala o Papa: “tendes a vantagem de dispor de uma história de bons párocos, muito bons, que nos dão o exemplo de como ir em frente. Olhai para os vossos pais na fé, olhai para eles e pedi ao Senhor a graça da memória, a memória eclesial. ‘A história da salvação não começou comigo’ — cada qual deve dizer isto. ‘A minha igreja tem uma tradição, uma longa tradição de bons sacerdotes’: assumir esta tradição e levá-la adiante. E não acabará contigo. Procura deixar a herança a quem ocupar o teu lugar. Pais que recebem a paternidade de alguém e a dão aos outros. Ser sacerdote assim é bom. Certa vez encontrei o pároco de uma aldeia, um bom pároco: ‘O que fazes?’ – ‘Conheço o nome de cada um dos meus paroquianos, das pessoas’ – ‘A sério, de todas?’ – ‘Todas! Até o nome dos cães!’. Estava próximo das pessoas”.<br></span><span style="color: inherit;">    Proximidade: este passo decorre do anterior e leva o padre a ser próximo do seu povo, dos fiéis a ele confiados na paróquia em que atua. Jamais pode ser um divorciado da realidade, mas, sim, encarnado nela, a exemplo do Filho de Deus.<br></span><span style="color: inherit;">    Sob essa ótica, fala longamente o Santo Padre: “Não se pode ser sacerdote afastado do povo. Proximidade ao povo”. “E quem nos deu o maior exemplo de proximidade foi o Senhor, não é verdade”? “Com a sua synkatabasis fez-se próximo, próximo a ponto de assumir a nossa carne. Proximidade! Um sacerdote que se afasta do povo não é capaz de transmitir a mensagem de Jesus. Não é capaz de dar as carícias de Jesus ao povo [...]. Proximidade ao povo. E proximidade significa paciência; significa queimar [consumir] a vida, porque – digamos a verdade – o povo santo de Deus cansa, cansa! Mas como é agradável encontrar um sacerdote que termina o dia cansado e que não precisa de comprimidos para dormir bem! Aquele cansaço sadio do trabalho, de animar os outros, continuamente ao serviço dos outros...” A pobreza “fará crescer a tua doação ao Senhor e que – a pobreza – servirá de muro para te preservar, porque a pobreza na vida consagrada, na vida dos sacerdotes, ‘é mãe e muro’”. “É mãe e muro: dá vida e preserva”. “Um sacerdote próximo do povo, próximo dos problemas das pessoas”. “Esta palavra, ‘proximidade’”.<br></span><span style="color: inherit;">    “... Proximidade! Como Jesus esteve próximo de nós. Não há outro caminho: é a via da Encarnação. Hoje as propostas gnósticas são tantas, e aquele pode até ser um bom sacerdote, mas não católico, gnóstico, não católico. Não, não! Católico, encarnado, próximo, que sabe acariciar e sofrer com a carne de Jesus nos doentes, nas crianças, no povo, nos problemas, nos tantos problemas que o nosso povo tem. Esta proximidade ajudar-vos-á muito, tanto”!<br></span><span style="color: inherit;">    Junto a Cristo no sacrário: o padre há de ser homem de oração, especialmente junto ao Sacrário onde está o Senhor Jesus, diuturnamente, presente em seu corpo, sangue, alma e divindade, a esperar a nossa visita nos vários momentos do nosso dia cheio de atividades ministeriais.<br></span><span style="color: inherit;">    Mesmo cheios de atividades, precisamos do mais importante: um tempo para Jesus e com Jesus, centro de nossa vida sacerdotal, não obstante o cansaço que nos assola e pode, inclusive, nos levar ao sono ou ao cochilo do corpo. Contudo, conforme rezamos no Ofício de Completas, devemos sempre pedir a Deus: “Salvai-nos, Senhor, quando velamos, guardai-nos também quando dormimos! Nossa mente vigie com o Cristo, nosso corpo repouse em sua paz”! É isso que o Papa ensina ao indagar: “quanto tempo passais por dia sentado diante do Tabernáculo? Uma das perguntas que fazia sempre aos sacerdotes, também bons, a todos, era: tu, à noite, como vais para a cama? E eles não compreendiam: ‘Mas o que me perguntas?’ – ‘Sim, sim! Como vais repousar? O que fazes?’ – ‘Oh, sim, volto cansado. Janto alguma coisa e depois vou dormir... Vejo a televisão... Repouso um pouco...’ – Ah, bom. Mas tu não saúdas ‘Aquele’ que te enviou ao povo? Pelo menos passar um momento diante do Tabernáculo’ – Ah, sim, é verdade! Mas adormeço...’. Bendito seja o Senhor! O que há de mais bonito do que adormecer diante do Senhor? Acontece-me... Isto não é pecado, não é pecado. Também Santa Teresinha do Menino Jesus nos ensina a fazer isto. Por favor, não deixeis o Senhor! Não deixeis o Senhor sozinho no Tabernáculo! Vós precisais d’Ele. ‘Mas não me diz nada! Adormeço...’. Adormece. Mas é Ele quem te envia, é Ele quem te dá a força. A oração pessoal com o Senhor, porque tu deves ser para o teu povo como Jesus. ‘Ah, mas eu não pensava, quando entrei no seminário, que este teria sido o caminho... Eu pensava em ser padre... Pensei que fazia muitas coisas belas...’. E isto é importante, mas mais importante é encontrar Jesus, e partindo de Jesus fazer o resto. Porque a Igreja não é uma ONG, e a pastoral não é um plano pastoral. Isto ajuda, é um instrumento; mas a pastoral é o diálogo, o diálogo contínuo – quer sacramental, quer catequético, quer de ensino – com o povo”.<br></span><span style="color: inherit;">    Recorrer ao Espírito Santo: outra dica de Francisco é recorrer ao Espírito Santo a fim de ser por Ele inspirado para que não façamos a nossa vontade, mas, sim, a de Deus em toda a nossa vida doada a Ele para o bem do próximo, pois é Ele, a terceira pessoa da Trindade, que nos leva adiante quando Lhe somos dóceis.<br></span><span style="color: inherit;">    Uma vez mais questiona o Papa: “‘E diz-me, como é a tua relação com o Espírito Santo?’ – ‘Ah, existe um Espírito Santo?’. Aquela pergunta que São Paulo fez [aos discípulos de Éfeso] e aquela resposta, são sempre atuais (cf. At 19, 2). Todos recitamos o </span><span style="color: inherit; font-style: italic;">Glória ao Pai</span><span style="color: inherit;">, e </span><span style="color: inherit; font-style: italic;">Creio no Espírito Santo</span><span style="color: inherit;">’; mas, na tua vida, como entra o Espírito Santo? Sabes distinguir as inspirações do Espírito no teu coração? ‘Mas, Padre, isto é para os místicos’. Não, é para todos nós! Quando o Espírito nos leva a fazer uma coisa e quando o outro espírito, o mau, nos leva a fazer outra, sabes distinguir um do outro? Ou a tua vida se rege apenas sobre ‘tenho vontade de...’? O Espírito Santo. A docilidade ao Espírito. Uma coisa na qual devemos pensar muito na nossa vida pastoral: a docilidade ao Espírito.” É a Ele que se deve pedir o zelo apostólico, tão necessário a todo batizado, mas de um modo especial aos sacerdotes.<br></span><span style="color: inherit;">    Os quatro pilares! Descreve assim o Papa: “a </span><span style="color: inherit; font-style: italic;">vida espiritual</span><span style="color: inherit;">, a oração; a vida </span><span style="color: inherit; font-style: italic;">comunitária</span><span style="color: inherit;"> com os companheiros; a vida de </span><span style="color: inherit; font-style: italic;">estudo</span><span style="color: inherit;">, porque devemos estudar: o mundo não tolera a má figura de um sacerdote que não compreende as coisas, que não tem um método para compreender as coisas e que não saiba dizer as coisas de Deus com fundamento; e quarto: a vida </span><span style="color: inherit; font-style: italic;">apostólica</span><span style="color: inherit;">; vós no fim de semana ide à paróquia e fazei esta experiência. Estes quatro pilares, que estejam sempre presentes. ‘Mas qual é o mais importante’? Os quatro são importantes. E vós, superiores e formadores, tendes que ajudar para que isto se verifique, para que seja assim. O equilíbrio destes quatro pilares não deve ser descuidado”. Ponto a ser fortemente refletido!<br></span><span style="color: inherit;">    O bom pároco e o não à fofoca: esse exemplo é como que o fechamento do longo e oportuno discurso feito de improviso pelo Papa Francisco na ocasião, e leva-nos a examinar nossa consciência de modo mais profundo com a seguinte questão: “como tenho vivido o meu ministério ordenado”? “Penso mais em mim e nos meus próprios interesses ou no povo a mim confiado pela Igreja? Sou leal ou, às vezes, bisbilhoto?”<br></span><span style="color: inherit;">    Eis o que relata o Santo Padre: “quero terminar com um ícone, um ícone sem uma pessoa, mas que eu vi muitas vezes quando era jovem, o telefone – porque não havia o atendedor de chamadas, não havia os telefones – nem o telefone na mesa de cabeceira do pároco. Estes bons sacerdotes, que se levantam a qualquer hora da noite para ir visitar um doente, dar os sacramentos. ‘Mas eu tenho que repousar... O Senhor salva todos... Desligo o telefone’. Isto [a disponibilidade] é o zelo apostólico, isto é derreter [consumir] a vida ao serviço dos outros. E no final o que te resta? O quê? A alegria do serviço do Senhor!”<br></span><span style="color: inherit;">    “Pensai na religiosa e pensai no telefone sobre a mesinha de cabeceira; pensai no povo; pensai no Tabernáculo; pensai nos quatro pilares. Muitas coisas nas quais pensar... E pensai também nos bispos, nos vossos sacerdotes: se tens alguma coisa contra ele, hoje ou amanhã, o primeiro que o deve saber é ele, e não os outros com os enredos. Nunca bisbilhoteis, sede homens bons, que não fazem mexericos...<br>    "</span><span style="color: inherit;">Que esta reflexão do Papa Francisco, nesta semana em que ele comemora 4 anos de sua eleição e início de pontificado, proposta primeiramente para s Seminários de nossa Arquidiocese e seus respectivos seminaristas, mas também para os formadores, para os professores das Faculdades Eclesiásticas, para os padres e diáconos de nossa Arquidiocese, bem como para todos os demais seminaristas, diáconos e sacerdotes que lerem este artigo, na abertura do itinerário quaresmal, nos ajude, à luz do Espírito Santo, numa conversão profunda que fale alto a cada coração  e nos faça alegres no Senhor, ao dar a vida pelo Reino de Deus. Amém!</span></p><div><br></div>Mon, 13 Mar 2017 17:19:23 -0300Um tempo com o Senhorhttps://cristoredentoroficial.com.br/noticias/um-tempo-com-o-senhorhttps://cristoredentoroficial.com.br/noticias/um-tempo-com-o-senhor<p>    Como é maravilhoso quando temos a oportunidade de ir para um lugar tranquilo, especialmente com pessoas queridas, por um tempo! Sabemos que essa ocasião nos refaz, não é verdade? Mas talvez alguns de nós precisem descobrir que somos ainda melhor refeitos se nos retiramos para um tempo especial com Deus, por meio da oração. O evangelho deste domingo narra um momento assim, quando Pedro, Tiago e João, após aceitarem o convite de Jesus para subirem com Ele à montanha, descobrem essa verdade e têm uma experiência incrível!</p><p style="text-align: center; "><span style="font-weight: bold;">“Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. E foi transfigurado diante deles; o seu rosto brilhou como o sol e as suas roupas ficaram brancas como a luz”. (Mt 17,1-2)</span></p><p>    A narrativa tem elementos simbólicos teologicamente muito significativos para nós e revela ainda que todos os que acompanharam o Senhor à montanha, que tem o significado da manifestação de Deus, tiveram uma experiência mística inédita. Não só viram a linda transfiguração de Jesus como ouviram o Pai falar com eles:</p><p style="text-align: center; "><span style="font-weight: bold;">“E da nuvem uma voz dizia: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo o meu agrado. Escutai-o!” (Mt 17,5b)</span></p><p>    Estar juntos, ali, era tão bom que Pedro chegou a sugerir que ficassem por lá! Mas era preciso voltar ao ordinário da vida cotidiana, para continuarem as suas missões de anunciar o Evangelho.<br><span style="color: inherit;">    Nós, como eles, precisamos de tempos fortes na presença de Deus, para a oração, quando também poderemos ter visão e audição espiritual — seja numa casa de retiros ou mesmo no nosso quarto, no silêncio do nosso coração. Mas, em seguida, precisaremos retomar as atividades cotidianas, cheios de fé e vigor, pela certeza de que Deus também se manifesta a nós, de tantas formas bonitas, simples ou mesmo extraordinárias.<br></span><span style="color: inherit;">    A quaresma é uma ocasião bastante oportuna para a vivência desses tempos fortes com Deus. Certamente, há muitas coisas que Ele deseja nos falar e mostrar. Basta querermos estar, de coração aberto, na Sua presença.</span></p><div><br></div>Mon, 13 Mar 2017 14:42:17 -0300Quatro anos com o Papa Franciscohttps://cristoredentoroficial.com.br/noticias/quatro-anos-com-o-papa-franciscohttps://cristoredentoroficial.com.br/noticias/quatro-anos-com-o-papa-francisco<p>    O mês de março nos traz as comemorações da eleição e início do Pontificado do Papa Francisco. Na semana passada, pudemos assistir em nosso Auditório do Edifício João Paulo II ao lançamento do filme sobre sua vida: “Papa Francisco, Conquistando Corações”. Um filme hispano-argentino que está iniciando sua exibição no Brasil nesta semana. Além de uma série televisiva, também os jornais e revistas se interessam por esses momentos e, por isso, nesses próximos dias 13 e 19 farão suas reportagens e artigos sobre o fenômeno “Papa Francisco” que, além de chefe da Igreja Católica, tornou-se o grande líder mundial do momento.<br><span style="color: inherit;">    Somos convidados a refletir um pouco mais detidamente a respeito dos quatro anos de pontificado do Papa Francisco, que estamos comemorando. Logo me veio à mente uma desafiadora questão: qual o segredo da liderança mundialmente reconhecida do Pontífice argentino?<br></span><span style="color: inherit;">    Utilizo os dados e também como resposta à pergunta o livro de autoria de Jeffrey A. Krames: “</span><span style="color: inherit; font-style: italic;">Liderar com humildad: 12 leciones de liderazgo del Papa Francisco</span><span style="color: inherit;">”. (Buenos Aires: V&R, 2014). Tal obra, que vale a pena ser lida na íntegra, a meu ver projeta luz ao pontificado de Bergoglio e leva-nos à profunda reflexão em nossos próprios campos de ação.<br></span><span style="color: inherit;">    Pois bem, já se vão quatro anos que, para a surpresa da grande maioria, inclusive de órgãos de imprensa com suas listas de papáveis (</span><span style="color: inherit; font-style: italic;">papabili</span><span style="color: inherit;">), era anunciado um nome um tanto fora de cogitação no balcão da Praça São Pedro, após a tradicional fumaça branca: Jorge Mario Bergoglio que, dali em diante, assume o nome de Francisco. Nome de Papa também inédito na bimilenar da História da Igreja, mas que bem revela o seu “programa de pontificado”: ser um reformador da “Casa de Deus” sem dela sair, assim como há muitos séculos fez seu inspirador homônimo, Francisco de Assis, grande santo da Igreja e querido também por muitos não católicos e até mesmo não crentes.<br></span><span style="color: inherit;">    No entanto, o que me proponho a refletir, como afirmava de início, é sobre a liderança operante de Francisco, que Krames assim interpreta: “Que tem este líder para atrair a atenção de tanta gente? Talvez a humildade que desprende tanto em seu modo de viver, como na maneira que conduz seu rebanho. Quiçá é a genuína preocupação que ele mostra pelos demais, muito além de sua inserção no estrato social. Talvez é a forma com que abraça a sinceridade e a austeridade... É tudo isso e muito mais. Este Papa se mostra como um dirigente que compreende que os líderes conduzem pessoas, não instituições. Lamentavelmente, pouca gente entende que este é um entorno cada vez mais impessoal e de alta tecnologia”. (p. 24 – tradução livre).<br></span><span style="color: inherit;">    Evidentemente, que citar todos os grandes feitos do Papa Bergoglio demandaria grande espaço, e outros meios de informação já o fizeram com precisão, de modo que me limito a lembrar apenas de alguns dados: canonizou 833 santos(as), entre processos comuns e “equipolentes”, ou seja, quando a fama de santidade vem de longos anos, mas não há um reconhecimento formal ou oficial da Igreja; declarou beatos(as) outras 974 pessoas superando, assim, São João Paulo II nesse quesito. Fez doze viagens em território italiano e 17 internacionais por 24 países, incluindo o Brasil nos dias 22 a 29 de julho de 2013, ocasião em que esteve aqui na nossa querida Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), e também visitou a cidade de Aparecida, em São Paulo, – a capital nacional da fé. Sou-lhe imensamente grato por esse gesto de deferência para com o povo brasileiro. Até hoje a nossa cidade não se esquece daquele momento de renovação espiritual e de testemunho da catolicidade em terras cariocas.<br></span><span style="color: inherit;">    Até aqui, proferiu 787 discursos e 215 homilias; escreveu duas encíclicas: a </span><span style="color: inherit; font-style: italic;">Lumen Fidei</span><span style="color: inherit;">, de 29/06/2013, e a</span><span style="color: inherit; font-style: italic;"> Laudato Si</span><span style="color: inherit;">, publicada em 18/06/2015; duas exortações pós-sinodais: a</span><span style="color: inherit; font-style: italic;"> Evangelium Gaudium</span><span style="color: inherit;">, de 24/11/2013, e a </span><span style="color: inherit; font-style: italic;">Amoris Laetitia</span><span style="color: inherit;">, de 08/04/2016. Assinou também 16 Constituições Apostólicas, 99 Cartas, 38 Cartas Apostólicas, 18 </span><span style="color: inherit; font-style: italic;">Motu Proprios</span><span style="color: inherit;"> (documento de livre iniciativa), recebeu milhares de peregrinos em 168 audiências gerais, e presidiu 367 celebrações na Casa Santa Marta, no Vaticano. Realizou o Ano Extraordinário da Misericórdia em 2016. Combateu e combate com veemência os abusos de menores, de modo especial por parte de maus clérigos, publicando, inclusive, o </span><span style="color: inherit; font-style: italic;">Motu proprio</span><span style="color: inherit;"> “Como uma mãe amorosa”, no qual alerta que os bispos ou superiores religiosos maiores que acobertarem casos de abusos graves responderão na seara administrativa, podendo ser até removidos para sempre da função que ocupam. Tal medida traz, sem dúvida, maior segurança e confiança ao Povo de Deus.<br></span><span style="color: inherit;">    Pensando na vida da Família de nossos dias, realizou dois Sínodos, um ordinário e outro extraordinário, e redigiu dois </span><span style="color: inherit; font-style: italic;">Motu Proprios</span><span style="color: inherit;">, em 15 de agosto de 2015, com a reforma do processo canônico para as causas de nulidade do matrimônio: </span><span style="color: inherit; font-style: italic;">Mitis et misericors Iesus</span><span style="color: inherit;">, no Código Canônico das Igrejas Orientais; e </span><span style="color: inherit; font-style: italic;">Mitis Iudex Dominus Iesus</span><span style="color: inherit;">, no Código de Direito Canônico da Igreja Latina, a fim de ajudar a não poucos casais cujo casamento, apesar de todas as aparências de validade, nunca existiu.<br></span><span style="color: inherit;">    Não posso deixar de mencionar a criação de 44 cardeais eleitores e de alguns não eleitores de diversos países, demonstrando, desse modo, a catolicidade ou a totalidade abrangente da Igreja, aberta a todos os homens e mulheres de boa vontade. Dentre os cardeais criados por Francisco se inclui – por imerecidos méritos próprios, mas pela graça de Deus – este irmão que está à frente da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, buscando caminhar ao lado do Santo Padre no projeto de uma Igreja pobre para os pobres. Igreja que não exclui, mas procura trazer para si todos os desejosos de abraçarem o amor de Deus em suas vidas.<br></span><span style="color: inherit;">    O Papa Francisco está criando pontes! Neste propósito ele convocou o Ano Santo Extraordinário da Misericórdia. Constantemente, o Papa tem dado testemunho de que a esperança cria pontes e não muros. O próprio Papa sintetiza o seu agir como Bispo de Roma na sua tradicional catequese: “.... a esperança cristã não pode renunciar à caridade genuína e concreta. Na Carta aos Romanos, o próprio Apóstolo das Nações afirma com o coração na mão: ‘Nós, que somos os fortes – que temos fé, esperança, ou que não temos muitas dificuldades – devemos suportar as fraquezas dos que são frágeis, e não agir à nossa maneira’(15,1). Suportar as debilidades do próximo. Depois, este testemunho não permanece fechado nos confins da comunidade cristã: ressoa em todo o seu vigor também fora, no contexto social e civil, como apelo a não criar muros, mas pontes; a não pagar o mal com o mal, a vencer o mal com o bem, a ofensa com o perdão – o cristão nunca pode dizer: vais pagar, nunca; este não é um gesto cristão; a ofensa vence-se com o perdão – a viver em paz com todos. Assim é a Igreja! E é isto que faz a esperança cristã, quando assume os lineamentos fortes, e ao mesmo tempo ternos, do amor. O amor é forte e terno. É bonito!” (Cf. L’Osservatore Romano, quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017, número 6, página 16).<br></span><span style="color: inherit;">    Além disso, chamou um grupo de Cardeais para a reforma da Cúria Romana e tomou muitas medidas administrativas com relação ao IOR, e também na nova disposição dos dicastérios da cúria romana. Grandes e importantes mudanças que vão ocorrendo nessa dinâmica. Enfim, são tantas atividades e mudanças que vieram para ficar e marcam seu pontificado. Nesta semana que antecede seus aniversários, participou do retiro anual da Quaresma com a Cúria Romana, agora sendo realizado fora do Vaticano.<br></span><span style="color: inherit;">    Grande destaque merece sua liderança mundial com relação aos refugiados, à fome e à procura da paz. São temas que retornam sempre em suas exortações. A sua proximidade e preocupação com os pobres têm sido demonstradas não só com palavras, mas com muitos gestos concretos seja pessoalmente pelo Papa, seja pelos seus emissários, para estarem presentes junto aos excluídos e marginalizados.<br></span><span style="color: inherit;">    É um pastor preocupado com seu povo e para que seu povo seja bem assistido e respeitado. É o pastor que vai em busca da ovelha perdida e quer acolher a todos. É aquele que dialoga com quem está longe e procura construir pontes para o presente e para o futuro.<br></span><span style="color: inherit;">    A Igreja de São Sebastião do Rio de Janeiro, pelo seu Arcebispo Metropolitano, com os seus Bispos Auxiliares e Eméritos, o Presbitério, os Diáconos, os Religiosos e Religiosas, as forças vivas da ação evangelizadora e todo o povo de Deus, que aqui caminha como Igreja peregrina, quer se unir espiritualmente oferecendo nesta semana do aniversário de seu pontificado coroas espirituais de orações nas suas intenções, para que o seu Pontificado continue sendo a graça da santificação do povo de Deus que peregrina na Urbe e no Orbe.<br></span><span style="color: inherit;">    Parabéns, Papa Francisco, pelos quatro anos à frente da Barca de Pedro, ouvindo-nos como irmãos no Batismo, no Sacerdócio e no Episcopado e orientando-nos como um pai amoroso que nos ensina não só por sábias e precisas palavras, mas também pelo luminoso exemplo de seus pequenos gestos, repletos de grande humildade.<br></span><span style="color: inherit;">    Obrigado! Muito obrigado pelo seu testemunho! De nossa parte continuamos rezando, sempre e diariamente, pelo seu ministério e pela sua pessoa, pela sua vida!</span></p><p><br></p>Sun, 12 Mar 2017 16:56:38 -0300A Alegria da Transfiguraçãohttps://cristoredentoroficial.com.br/noticias/a-alegria-da-transfiguracaohttps://cristoredentoroficial.com.br/noticias/a-alegria-da-transfiguracao<p>    No I Domingo da Quaresma, meditamos sobre as tentações de Jesus. O Senhor no deserto, lutando contra o diabo, convidava-nos ao combate espiritual, próprio do deserto quaresmal. Sim, porque é isso que o tempo santo que estamos vivendo deseja ser: tempo de retiro no deserto do coração para combater nossos demônios interiores e, pela oração, a penitência, a caridade fraterna, a escuta da Palavra de Deus e a reconciliação sacramental, caminharmos para a santa Páscoa.<br><span style="color: inherit;">    Na liturgia do II Domingo da Quaresma (Mt 17,1-9), ladeado por Moisés e Elias, que também enfrentaram durante quarenta dias e quarenta noites o combate no deserto para experimentarem o fulgor da glória de Deus, Jesus nos mostra qual a finalidade do nosso caminho quaresmal. Jesus nos revela aonde nos leva nosso combate espiritual.<br></span><span style="color: inherit;">    Ao olharmos um pouco o contexto do Evangelho da Transfiguração, observamos que Jesus tinha anunciado aos seus que “é necessário que o Filho do homem padeça muitas coisas, seja rejeitado pelos anciãos, pelos príncipes dos sacerdotes e pelos escribas. É necessário que seja levado à morte e ressuscite ao terceiro dia” (Lc 9,22; cf. Mt 16,21); que Ele tinha falado também que se alguém O quisesse seguir que tomasse a cruz (cf. Mt 16,24); por outro lado, alguns discípulos esperavam um messias político que vencesse pela força de um exército dominador o poder dos romanos, de cujo jugo desejavam ver-se livres.<br></span><span style="color: inherit;">    Detenhamo-nos um pouco no Tabor do Evangelho hodierno. Ele é prenúncio, uma misteriosa antecipação da ressurreição. Com sua bendita Transfiguração, Jesus deseja preparar os seus para as dores da paixão – do mesmo modo que a Igreja nos deseja alentar e motivar para as renúncias e observâncias quaresmais. Por isso mesmo, Pedro, Tiago e João, os três que estão no Tabor, são os mesmos que estarão no Jardim das Oliveiras. Por isso também o Evangelho de hoje termina com uma alusão à ressurreição de Jesus dentre os mortos e, o relato da transfiguração em Lucas afirma que “Jesus falava de sua partida que iria consumar-se em Jerusalém” (9,30). Eis: Moisés e Elias, a Lei e os Profetas dão testemunho da paixão do Senhor. Após a ressurreição, isso ficará claro: “Não era preciso que o Cristo sofresse tudo isso e entrasse em sua glória”? “E começando por Moisés e por todos os Profetas, interpretou-lhes em todas as Escrituras o que a Ele dizia respeito” (Lc 34,26-27). Eis que mistério: a Lei (Moisés) e os Profetas (Elias) dão testemunho de Jesus e aparecem iluminados por Ele. Somente Nele, na luz da sua cruz e ressurreição, o Antigo Testamento encontra sua plenitude e sua luz!<br></span><span style="color: inherit;">    A transfiguração do Senhor é um consolo. De fato, dizia São Leão Magno que “o fim principal da transfiguração foi desterrar das almas dos discípulos o escândalo da Cruz”; trata-se de uma “gota de mel” no meio dos sofrimentos. A transfiguração ficou tão gravada na mente dos três apóstolos que estavam com Jesus, que anos mais tarde São Pedro lembrar-se-ia desse fato na sua segunda epístola: “Este é o meu filho muito amado, em quem tenho posto todo o meu afeto”. “Esta mesma voz que vinha do céu nós a ouvimos quando estávamos com Ele no monte santo” (2 Ped 1,17-18).  Ele, Jesus, continua dando-nos o consolo – quando necessário – para podermos continuar caminhando e para que nunca desistamos. É preciso que façamos muitos atos de esperança, uma virtude muito importante para todos os membros desse estado da Igreja, que nós chamamos de “militante”. Somos os que combatem e somos combatidos, a nossa força vem do Senhor, nele nós esperamos.<br></span><span style="color: inherit;">    Os discípulos da transfiguração são os mesmos do Monte das Oliveiras, os da alegria são também os da agonia. É preciso acompanhar o Senhor em suas alegrias e em suas dores. As alegrias preparam-nos para o sofrimento e o sofrimento por e com Jesus dá-nos alegria. Os discípulos, que estavam desanimados diante do Mistério da Cruz, são consolados por Jesus na transfiguração e preparados para os acontecimentos vindouros, como, por exemplo, o terrível sofrimento que Ele padecerá no Getsêmani. Vale a pena segui-Lo? Certamente.<br></span><span style="color: inherit;">    Portanto, o Evangelho da Transfiguração nos diz que temos que viver “totalmente no céu e totalmente na terra”. Isso significa que enquanto temos a cabeça e o coração totalmente em Deus, os nossos pés estão bem apoiados na terra, e tendo os pés em terra firme, em meio das nossas ocupações, não nos esquecemos do Senhor. “Corações ao alto”, diz o sacerdote em cada Santa Missa. Nós respondemos dizendo que “o nosso coração está em Deus”. Mas, o nosso coração deve estar realmente em Deus não somente durante a Missa, mas também noutros momentos, nas vinte e quatro horas do dia.</span></p><div><br></div>Sat, 11 Mar 2017 17:06:43 -0300Os leigos e a consagração da Eucaristiahttps://cristoredentoroficial.com.br/noticias/os-leigos-e-a-consagracao-da-eucaristiahttps://cristoredentoroficial.com.br/noticias/os-leigos-e-a-consagracao-da-eucaristia<p>    Tem voltado à tona alguns debates sobre a questão do sacerdócio ministerial. Falou-se sobre a possibilidade de haver a consagração do pão e do vinho por parte de leigos, especialmente onde faltam sacerdotes válida e licitamente ordenados. Aqui não estaria se tratando dos assim chamados “viri probati”, ou seja, a ordenação de homens casados, mas sim de cristãos leigos sem ordenação sacerdotal. Na última Assembleia da CNBB emitimos um documento muito importante sobre os cristãos leigos e sua missão na Igreja. A presença do laicato na Igreja e, como Igreja, no mundo tem uma grande área de atuação, mas o sacerdócio comum dos fiéis não se confunde com o sacerdócio ministerial.<br><span style="color: inherit;">    Mas, quais são os documentos da Tradição da Igreja nessa área? Essa ideia que parece, à primeira vista, simpática e solucionadora do problema da falta de vocações sacerdotais não é nova nem tão simples. As fontes utilizadas foram, de um modo especial a Carta </span><span style="color: inherit; font-style: italic;">Sacerdotium Ministeriale</span><span style="color: inherit;"> (citada aqui como </span><span style="color: inherit; font-style: italic;">SM</span><span style="color: inherit;">), da Congregação para a Doutrina da Fé, de 6 de agosto de 1983, e o </span><span style="color: inherit; font-style: italic;">Curso de Eclesiologia</span><span style="color: inherit;">, de D. Estêvão Bettencourt, OSB. Rio de Janeiro: Mater Ecclesiae, 1996, p. 181-197.<br></span><span style="color: inherit;">    Notamos que, embora as opiniões defensoras da Celebração Eucarística por leigos apareçam de formas diversas e matizadas, se mostram deveras perigosas, pois “convergem todas na mesma conclusão: que o poder de realizar o Sacramento da Eucaristia não está necessariamente ligado com a Ordenação sacramental. E é evidente que esta conclusão não pode coadunar-se de maneira nenhuma com a fé transmitida, dado que não só nega o poder confiado aos Sacerdotes, mas também deprecia toda a estrutura apostólica da Igreja e deforma a própria economia sacramental da Salvação” (</span><span style="color: inherit; font-style: italic;">SM,</span><span style="color: inherit;"> n. 1).<br></span><span style="color: inherit;">    O Concílio de Latrão IV, realizado em novembro de 1215 – que teve a participação de mais de 400 bispos, o que, sem dúvida, lhe deu grande destaque em vista de heresias ocorrentes na época – reafirmou, por exemplo, a propósito da unidade da Igreja, que n’Ela Jesus Cristo é, ao mesmo tempo, sacerdote e sacrifício. Em Seu corpo e sangue se contem verdadeiramente o sacramento do altar sob as espécies de pão e de vinho, depois do que, em virtude do poder divino, o pão se transubstancia no corpo e o vinho no sangue [do Senhor]: para que deste modo se complete o mistério da unidade [da Igreja], recebendo nós do que é seu e Ele do que é nosso. Ninguém pode realizar este sacramento senão o sacerdote devidamente ordenado com o poder [das chaves] que Jesus Cristo mesmo concedeu aos Apóstolos e seus sucessores. (Cf. Justo Collantes. </span><span style="color: inherit; font-style: italic;">La fé de la Iglesia: las ideas y los hombres en los documentos doctrinales del Magisterio</span><span style="color: inherit;">. 3ª ed. Madri: BAC, 1986, n. 535).<br></span><span style="color: inherit;">    Alguns poderiam indagar se esse não é um documento muito distante, sem valor para os nossos dias tão carentes de sacerdotes e, ademais, depreciador dos leigos como se eles formassem uma classe inferior de fiéis na Igreja – A resposta da Igreja é negativa, por várias razões depreendidas do Concílio Vaticano II e de outros documentos, incluindo a SM, de 1983, que convergem em afirmar alguns pontos básicos, como os que vão a seguir propostos em nove tópicos, a fim de melhor facilitar a compreensão.<br></span><span style="color: inherit;">    1) A Igreja é o Corpo de Cristo prolongado na História e nele há muitas funções ou ministérios como se vê, por exemplo, em 1Cor 12,27: “vós sois o corpo de Cristo e sois os seus membros, cada um por sua parte”, e em Ef 4,11-12: “E ele [Jesus] que concedeu a uns ser apóstolos, a outros pastores e doutores para aperfeiçoar os santos em vista do ministério para a edificação do Corpo de Cristo”.<br></span><span style="color: inherit;">De acordo com a nota “g” da Bíblia de Jerusalém, os santos aqui mencionados parecem ser os que ensinam, mas também pode designar os cristãos em geral que concorrem para edificar a Igreja de Cristo (cf. At 9,13 e paralelos). Desse modo, a função de presbítero e bispo teria significado próprio, que não pode ser confundido com a missão dos demais fiéis, conforme o argumento proposto no próximo tópico.<br></span><span style="color: inherit;">    2) É Cristo quem confere, pelo Sacramento da Ordem, o ministério ordenado a alguém, e não uma comunidade carente de sacerdotes. Tal sacramento faz com que o ordenado participe no sacerdócio de Nosso Senhor que se diferencia de modo </span><span style="color: inherit; font-style: italic;">essencial</span><span style="color: inherit;">, e não apenas de grau, do sacerdócio comum dos fiéis decorrente do próprio Batismo, de acordo com a </span><span style="color: inherit; font-style: italic;">Lumen Gentium</span><span style="color: inherit;">. <br></span><span style="color: inherit;">    Com efeito, lê-se no citado documento o que segue: “O sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio ministerial ou hierárquico, embora se diferenciem essencialmente e não apenas em grau, ordenam-se mutuamente um ao outro; pois um e outro participam, a seu modo, do único sacerdócio de Cristo. Com efeito, o sacerdote ministerial, pelo seu poder sagrado, forma e conduz o povo sacerdotal, realiza o sacrifício eucarístico fazendo as vezes de Cristo e oferece-o a Deus em nome de todo o povo; os fiéis, por sua parte, concorrem para a oblação da Eucaristia em virtude do seu sacerdócio real, que eles exercem na recepção dos sacramentos, na oração e ação de graças, no testemunho da santidade de vida, na abnegação e na caridade operosa”. (n. 10)<br></span><span style="color: inherit;">    Mais: ao falar dos vários tipos de vocações na Igreja, diz a </span><span style="color: inherit; font-style: italic;">Lumen Gentium </span><span style="color: inherit;">que “aqueles dentre os fiéis que são assinalados com a sagrada Ordem, ficam constituídos em nome de Cristo para apascentar a Igreja com a palavra e graça de Deus”. (n. 11)<br></span><span style="color: inherit;">    3) Do que foi dito, fica claro que a estrutura da Igreja é sacramental, de forma a ser ela um sinal sensível que significa e comunica a graça de Deus. A humanidade de Cristo é o sacramento primordial do qual decorre o sacramento da Igreja, Corpo de Cristo prolongado na História, que, por sua vez, ministra os sete sacramentos da vida cristã: Batismo, Crisma, Eucaristia, Reconciliação, Unção dos Enfermos, Ordem e Matrimônio.<br></span><span style="color: inherit;">    4) Disso decorre que o ser humano em geral – incluindo obviamente aí o Papa e os Bispos – é administrador e não dono daquilo que Cristo, e só Ele, nos concede. Daí não se poder dar a nenhum leigo, em virtude do seu Batismo, a faculdade de celebrar a Santa Missa, posto que tal faculdade supõe o Sacramento da Ordem a inserir o cristão ordenado no sacerdócio único e verdadeiro de Cristo. Este sacramento garante à Igreja a sucessão apostólica ininterrupta. Quem fugisse dele apenas para ter padres estaria, com certeza, promovendo não um bem, mas uma fratura no corpo místico de Cristo.<br></span><span style="color: inherit;">    5) A Constituição </span><span style="color: inherit; font-style: italic;">Sacrossanctum Concilium,</span><span style="color: inherit;"> sobre a Liturgia, em seu n. 7, assim se expressa sobre as cinco formas de presença de Cristo na Igreja: “Cristo está sempre presente na sua Igreja, especialmente nas ações litúrgicas. Está presente no sacrifício da Missa, quer na pessoa do ministro – ‘O que se oferece agora pelo ministério sacerdotal é o mesmo que se ofereceu na Cruz’ – quer e, sobretudo, sob as espécies eucarísticas. Está presente com o seu dinamismo nos Sacramentos, de modo que, quando alguém batiza, é o próprio Cristo que batiza. Está presente na sua palavra, pois é Ele que fala ao ser lida na Igreja a Sagrada Escritura. Está presente, enfim, quando a Igreja reza e canta, Ele que prometeu: ‘Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles (Mt 18,20)”.<br></span><span style="color: inherit;">    É importante a menção a Mt 18,20, pois quem defende a consagração do pão e do vinho por parte de leigos evoca essa passagem. Sim, ela é citada como fundamento para afirmar que todos os membros da Igreja possuem, sem nenhuma diferença, o mesmo grau de participação no sacerdócio de Cristo, o que não é verdade, pois o texto conciliar realça a diversidade de participação no único sacerdócio de Nosso Senhor ao fazer referência específica ao ministro ordenado da celebração eucarística.<br></span><span style="color: inherit;">    7) A falta de padres não é argumento dirimente para se dar a leigos a faculdade de consagrar o pão e o vinho. A Igreja pede aos fiéis, sem a possibilidade de Missa por muito tempo, que se unam espiritualmente às Missas celebradas em outras partes do mundo a fim de, com proveito, se beneficiarem delas, e aos Bispos convoca a que usem da Celebração da Palavra conduzida por um(a) leigo(a), na qual a Eucaristia pode ser distribuída pelo Ministro Extraordinário da Comunhão Eucarística, bem como, de um modo cada vez mais intenso, reze e promova orações para que surjam, em suas dioceses, sérias  vocações sacerdotais a serviço do Povo de Deus.<br></span><span style="color: inherit;">    Com tudo o que foi dito, a Igreja não exclui, mas, ao contrário, muito valoriza o Ministro Extraordinário da Comunhão Eucarística, que pode ser um homem ou uma mulher, conforme o </span><span style="color: inherit; font-style: italic;">Código de Direito Canônico</span><span style="color: inherit;">, cânones 910 e 230, que têm o seguinte teor normativo: cânon 910 § 1º “Ministro ordinário da Sagrada Comunhão é o Bispo, o presbítero e o diácono”; § 2º “Ministro extraordinário da Sagrada Comunhão é o acólito ou outro fiel designado de acordo com o cânon 230 § 3”.<br></span><span style="color: inherit;">    Diz o cânon 230 § 3: “Onde a necessidade da Igreja o aconselha, podem também os leigos, na falta de ministros, mesmo não sendo leitores ou acólitos, suprir alguns de seus ofícios, a saber: exercer o ministério da palavra, presidir as orações litúrgicas, administrar o batismo e distribuir a Sagrada Comunhão, de acordo com as prescrições do Direito”.<br></span><span style="color: inherit;">    Eis, ainda, as consoladoras palavras da SM, n. 4: “A cada um dos fiéis ou às comunidades que por motivo de perseguição ou por falta de Sacerdotes se vejam privadas da celebração da Sagrada Eucaristia, durante breve tempo ou mesmo durante um período longo, não faltará, de alguma maneira, a graça do Redentor. Se estiverem animados intimamente pelo voto do Sacramento e unidos na oração com toda a Igreja, invocarem o Senhor e elevarem para Ele os próprios corações, tais fiéis e comunidades vivem, por virtude do Espírito Santo, em comunhão com a Igreja, corpo vivo de Cristo, e com o mesmo Senhor. Mediante o voto do Sacramento, em união com a Igreja, ainda que estejam muito afastados externamente, estão unidos a ela íntima e realmente e, por isso, recebem os frutos do Sacramento; ao passo que aqueles que procuram atribuir-se indevidamente o direito de realizar o Mistério Eucarístico acabam por fechar em si mesma a própria comunidade”.<br></span><span style="color: inherit;">    8) O direito à Eucaristia, a que todo fiel preparado tem, não pode ser solucionado de modo arbitrário, mas de acordo com o que expusemos no item anterior. Só o ministro válida e licitamente ordenado pode celebrá-la, conforme o</span><span style="color: inherit; font-style: italic;"> Catecismo da Igreja Católica</span><span style="color: inherit;">, n. 1369 afirma com ricas citações: “‘Seja tida como legítima somente aquela Eucaristia que é presidida pelo bispo ou por quem ele encarregou’ (Santo Inácio de Antioquia, </span><span style="color: inherit; font-style: italic;">Smyrn</span><span style="color: inherit;">. 8,1)”.<br></span><span style="color: inherit;">    “É pelo ministério dos presbíteros que o sacrifício espiritual dos fiéis se consuma em união com o sacrifício de Cristo. Mediador único, que é oferecido na Eucaristia de modo incruento e sacramental, pelas mãos deles, em nome de toda a Igreja, até quando o mesmo Senhor voltar (</span><span style="color: inherit; font-style: italic;">Presbyterorum Ordinis</span><span style="color: inherit;">, 2)”.<br></span><span style="color: inherit;">    9) Por fim, notamos que ensina a Igreja a seguinte verdade de fé: “O sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia </span><span style="color: inherit; font-style: italic;">são um único sacrifício</span><span style="color: inherit;">: ‘É uma só e mesma vítima e Aquele que agora Se oferece pelo ministério dos sacerdotes é o mesmo que outrora Se ofereceu a Si mesmo na cruz; só a maneira de oferecer é que é diferente’. E porque ‘neste divino sacrifício, que se realiza na missa, aquele mesmo Cristo, que a Si mesmo Se ofereceu outrora de modo cruento sobre o altar da cruz, agora está contido e é imolado de modo incruento [...], este sacrifício é verdadeiramente propiciatório’”. (</span><span style="color: inherit; font-style: italic;">Catecismo da Igreja Católica</span><span style="color: inherit;"> n. 1367).<br></span><span style="color: inherit;">    Eis como se pode argumentar – com a Igreja – sobre a proposta que andou circulando pelos noticiários, de leigos celebrarem Missas onde faltam padres.</span></p><div><br></div>Fri, 10 Mar 2017 16:58:54 -0300A mulher e a Igrejahttps://cristoredentoroficial.com.br/noticias/a-mulher-e-a-igrejahttps://cristoredentoroficial.com.br/noticias/a-mulher-e-a-igreja<p><span style="color: inherit;">    Comemoramos no último dia 08 de março o Dia Internacional da Mulher. Este dia é marcado por muitas lembranças, cumprimentos e comemorações. É o dia de agradecer a Deus pela vida de todas as mulheres. É importante o grande papel que as mulheres desempenham na Igreja, iniciando pelo grande exemplo de Mulher: a Virgem Maria.<br></span><span style="color: inherit;">    Jesus, por algumas vezes no Evangelho de João, chama a sua mãe de Mulher. Jesus não se dirige a Maria chamando-a de mãe, mas “mulher”. Não é o filho que se dirige à mãe, mas o “Messias à Mulher = Mãe da Nova Humanidade”, a “Nova Eva”. Em Gn 3,20, Eva é ao mesmo tempo mulher e mãe por excelência. Assim, chamando Maria de Mulher, Jesus está indicando que é a “primeira mulher” ou a “nova mulher” ou a “mulher protológica”. No Apocalipse 12, Maria é a “mulher escatológica”. Assim, em Maria, podemos ver a primeira e a última mulher da História. Ao chamá-la de “Mulher”, Jesus a reverencia, reconhecendo-lhe uma dignidade histórico-salvífica. Em João, o termo “mulher” também traduz a importância e o valor evangelizador das mulheres na comunidade do “Discípulo Amado” (cf. Jo2,4; 19,26; 4,21; 20,15), exemplo de perseverança no seguimento de Jesus e testemunha da ressurreição (cf. Jo20,17s).<br></span><span style="color: inherit;">    São Lucas apresenta Maria como primeira discípula cristã, através do seu gesto de aceitação obediente e pronta, que a faz iniciar um longo caminho de peregrinação na fé. Maria também é conhecida nas palavras de São Lucas: a Bem-aventurada entre todas as mulheres. Bendita és tu entre as mulheres: Evoca Jz 5,24 e Jt 13,18, nos quais se louva a mulher destemida e ativa na participação nas lutas de resistência e vitórias do seu povo, do Povo de Deus. O adjetivo “bendita” implica louvor à pessoa e reconhecimento dos destinatários da bênção e do favor de Deus.<br></span><span style="color: inherit;">    Os últimos Papas falaram e têm falado sobre este tema. São João Paulo II dedicou uma carta para falar às mulheres. Carta Apostólica </span><span style="color: inherit; font-style: italic;">Mulieris Dignitatem</span><span style="color: inherit;">. O documento histórico, que completou 25 anos em 2013, é o primeiro do Magistério pontifício dedicado inteiramente à temática da mulher. “Neste amplo espaço de serviço, a História da Igreja nestes dois milénios, apesar de tantos condicionalismos, conheceu realmente o “génio da mulher”, tendo visto surgir no seu seio mulheres de primária grandeza, que deixaram amplos e benéficos vestígios de si no tempo.<br></span><span style="color: inherit;">    Penso na longa série de mártires, de santas, de místicas insignes. Penso, de modo especial, em Santa Catarina de Sena e em Santa Teresa de Ávila, a quem o Papa Paulo VI, de venerável memória, conferiu o título de Doutoras da Igreja. E como não lembrar também tantas mulheres que, impelidas pela fé, deram vida a iniciativas de extraordinário relevo social, especialmente ao serviço dos mais pobres? O futuro da Igreja, no terceiro milénio, não deixará certamente de registar novas e esplêndidas manifestações do “génio feminino”. (Carta Apostólica de São João Paulo II. Mulieris Dignitatem, 29 de junho de 1995. Retirado do site: </span><a href="http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/letters/1995/documents/hf_jp-ii_let_29061995_women.html" style="background-color: rgb(255, 255, 255); text-decoration: underline;">http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/letters/1995/documents/hf_jp-ii_let_29061995_women.html</a><span style="color: inherit;"> . Último acesso: 08/03/2017).<br></span><span style="color: inherit;">    O Papa emérito Bento XVI foi outro que destacou a importância da mulher na História. A palavra “mulher” pode ser encontrada em mais de 700 documentos dele, entre discursos, homilias, audiências, entre outros momentos como Bispo de Roma. Entre os anos de 2010 e 2011, ele até fez uma série de catequeses sobre a contribuição espiritual e social de santas e beatas da Igreja, entre elas Santa Teresa de Ávila, Santa Joana D’Arc, Santa Clara de Assis, Santa Teresinha do Menino Jesus e Santa Catarina de Sena. “Em todos os Evangelhos, as mulheres têm um grande espaço nas narrações das aparições de Jesus ressuscitado, assim como nas da paixão e da morte de Jesus. Naquela época, em Israel, o testemunho das mulheres não podia ter valor oficial, jurídico, mas as mulheres viveram uma experiência de relação especial com o Senhor, que é fundamental para a vida concreta da comunidade cristã, e assim foi sempre, em todas as épocas, não só no início do caminho da Igreja”. (Regina Coeli. Papa Bento XVI. 09/04/2012. Retirado do site:</span><a href="http://w2.vatican.va/content/benedict-vi/pt/angelus/2012/documents/hf_ben-xvi_reg_20120409_easter-monday.html" style="background-color: rgb(255, 255, 255); text-decoration: underline;">http://w2.vatican.va/content/benedict-vi/pt/angelus/2012/documents/hf_ben-xvi_reg_20120409_easter-monday.html</a><span style="color: inherit;"> . Último acesso: 08/03/2017).<br></span><span style="color: inherit;">    Já o Papa Francisco, no dia 8 de março de 2015, dirigiu estas palavras às mulheres: “As primeiras testemunhas da Ressurreição são as mulheres. E isto é bonito. Esta é um pouco a missão das mulheres: mães e mulheres! Dar testemunho aos filhos e aos pequenos netos, de que Jesus está vivo, é o Vivente, ressuscitou. Mães e mulheres, ide em frente com este testemunho! Para Deus o que conta é o coração, quanto estamos abertos a Ele, se somos filhos que confiam. Isto leva-nos a meditar inclusive sobre o modo como as mulheres, na Igreja e no caminho de fé, tiveram e ainda hoje desempenham um papel especial na abertura das portas ao Senhor, no seu seguimento e na comunicação do seu Rosto, pois o olhar de fé tem sempre necessidade do olhar simples e profundo do amor”. (Retirado do site: </span><a href="http://www.a12.com/santo-padre/noticias/detalhes/papa-francisco-e-as-mulheres" style="background-color: rgb(255, 255, 255); text-decoration: underline;">http://www.a12.com/santo-padre/noticias/detalhes/papa-francisco-e-as-mulheres</a><span style="color: inherit;">. Último acesso: 08/03/2017).<br></span><span style="color: inherit;">    O Papa Francisco ainda diz sobre a mulher: “É desejável, portanto, uma presença feminina mais ramificada e incisiva nas comunidades, de modo que possamos ver muitas mulheres envolvidas nas responsabilidades pastorais, no acompanhamento de pessoas, famílias e grupos, assim como na reflexão teológica”. “Todas as instituições, inclusive a comunidade eclesial, são chamadas a garantir a liberdade de escolha para as mulheres, para que tenham a possibilidade de assumir responsabilidades sociais e eclesiais, num modo harmônico com a vida familiar”. (Retirado do Site: </span><a href="http://noticias.cancaonova.com/mundo/papa-destaca-papel-da-mulher-na-igreja-e-na-sociedade" style="background-color: rgb(255, 255, 255); text-decoration: underline;">http://noticias.cancaonova.com/mundo/papa-destaca-papel-da-mulher-na-igreja-e-na-sociedade</a><span style="color: inherit;">/ Último acesso: 08/03/2017).<br></span><span style="color: inherit;">    Portanto, a figura da mulher para a Igreja é de suma importância, e isso nós vimos desde o início do Cristianismo. A Igreja acolhe as mulheres e conta com a ajuda destas grandes missionárias na fé. Assim, continuando esta semana a repercutir o Dia Internacional da Mulher, junto com todas as necessidades da presença da mulher em todos os âmbitos da sociedade, e constatando a sua presença na História da Igreja, desejo a todas as mulheres muita paz e força na caminhada. Que a Bem-Aventurada Virgem Maria ilumine a vocês!</span></p><div><br></div>Thu, 09 Mar 2017 16:49:16 -0300Tempo especial para a espiritualidadehttps://cristoredentoroficial.com.br/noticias/tempo-especial-para-a-espiritualidadehttps://cristoredentoroficial.com.br/noticias/tempo-especial-para-a-espiritualidade<p>    Há momentos em que nos voltamos mais para os estudos, outros para a nossa vida profissional ou para a afetividade... Essas pausas focadas são fundamentais para crescermos em alguns aspectos, não é verdade? É preciso a consciência de que a nossa espiritualidade também precisa desse olhar cuidadoso e que, justamente por isso, a Igreja nos convida a viver momentos fortes de oração e penitência, como este da Quaresma.<br><span style="color: inherit;">    Temos, diante de nós, 40 dias para dedicarmos mais atenção à nossa vida interior. É tempo de percebermos se estamos em sintonia com Deus, se nos deixamos iluminar por Suas palavras e exemplos e também de questionar nossas atitudes e de descobrir se existe o desejo de uma vida comprometida com a fé que abraçamos.<br></span><span style="color: inherit;">    O evangelho deste domingo narra Jesus no deserto sendo tentado. Os 40 dias e 40 noites simbolizam uma vida inteira de tentações, exatamente como acontece conosco! Somos incessantemente obrigados a fazer escolhas, que podem ser boas ou não. Podemos optar por atender aos apelos egoístas que surgem em nós ou por fazer a vontade do Pai, que sempre é especialmente voltada para aqueles que estão excluídos de alguma forma.<br></span><span style="color: inherit;">    É verdade que podemos orientar nossa vida para o acúmulo de bens e o desfrute dos prazeres, para a busca do poder religioso ou mesmo político, que conquistem para nós força e reconhecimento social. Mas essas vias nada mais são do que tentações, que nos afastam do desejo do Senhor para as nossas vidas: ter uma história pautada pelos ensinamentos bíblicos, de forma que a lógica humana esteja sempre submissa à divina, sem julgar que a felicidade vem da autoafirmação e do domínio sobre os outros.<br></span><span style="color: inherit;">    No entanto, para que consigamos viver conforme a vontade do Senhor é preciso oração, jejum e penitência, como ensina a tradição cristã. Existem diversas práticas, muito simples, que podem se adequar a todos os estilos de vida, à disposição de todos nós. O importante é aproveitar esse tempo forte da graça de Deus, em preparação para a Páscoa do Senhor.</span></p><p><br></p><p><br></p>Mon, 06 Mar 2017 15:24:35 -0300O deserto da Quaresmahttps://cristoredentoroficial.com.br/noticias/o-deserto-da-quaresmahttps://cristoredentoroficial.com.br/noticias/o-deserto-da-quaresma<p>    Iniciamos um novo tempo litúrgico: a Quaresma. Participemos de coração aberto deste tempo que o Senhor nos concede. No I Domingo da Quaresma, a Igreja nos apresenta todos os anos o mistério do jejum de Jesus durante 40 dias no deserto, seguido das tentações (cf. Mt 4, 1-11). Quaresma é para nós um tempo forte de conversão e renovação em preparação à Páscoa. É tempo de rasgar o coração e se voltar ao Senhor. Tempo de retomar o caminho e de se abrir à graça do Senhor, que nos ama e nos socorre. É um tempo sagrado para aprofundar o Plano de Deus e rever a nossa vida cristã. E nós somos convidados pelo Espírito ao DESERTO da Quaresma para nos fortalecer nas tentações, que frequentemente tentam nos afastar dos planos de Deus.<br><span style="color: inherit;">    Este I Domingo da Quaresma nos coloca diante do mistério do bem e do mal que nos habita, até as raízes mais profundas da nossa pessoa, e nos deixa vislumbrar a saída desta contradição: queda de Adão/Eva diante do tentador, no Jardim do Éden (1ª leitura Gênesis 2,7-9; 3,1-7), e vitória de Cristo que derrota o diabo no deserto (Evangelho Mt 4,1-11) e antecipa sua vitória final na cruz e ressurreição. Cristo Ressuscitado é o novo Adão que, no jardim da ressurreição, dá início a uma nova humanidade, à qual nós pertencemos por graça, pelo Batismo que nos faz participar de Sua morte e ressurreição. O salmo responsorial (Sl 50) é o salmo penitencial por excelência. Resume em si os sentimentos mais profundos do pecado, do arrependimento, da conversão, da alegria, do agradecimento pela vida renovada, pela misericórdia e o perdão de Deus. Na Segunda Leitura (Rm 5,12-19), São Paulo desenvolve, em profundidade, a relação que Deus tem estabelecido entre a aventura negativa de Adão e a resposta de obediência e de amor, realizada por Cristo, “novo Adão”, início de uma humanidade nova. A transgressão de um só levou a multidão humana à morte, mas foi de modo bem superior que a graça de Deus, ou seja, o dom gratuito concedido através de um homem, Jesus Cristo, se derramou em abundância sobre todos.<br></span><span style="color: inherit;">    A Palavra de Deus nos desvenda dois mistérios tremendos: o mistério da piedade e o mistério da </span>iniquidade<span style="color: inherit;">! Esses dois mistérios atravessam a história humana e se interpenetram misteriosamente; dois mistérios que nos atingem e marcam nossa vida e esperam nossa decisão, nossa atitude, nossa escolha! Um é mistério de vida; o outro mistério de morte. O mistério da iniquidade destruiu o mistério da piedade? Não! De modo algum! Ao contrário: revelou-o ainda mais: “A transgressão de um só levou a multidão humana à morte; mas foi de modo bem superior que a graça de Deus… concedida através de Jesus Cristo, se derramou em abundância sobre todos. Por um só homem a morte começou a reinar. Muito mais reinarão na vida, pela mediação de um só, Jesus Cristo, os que recebem o dom gratuito e superabundante da justiça”.<br></span><span style="color: inherit;">    O mistério da piedade, o centro da nossa fé: em Cristo revelou-se todo o amor de Deus para conosco; pela obediência de Cristo a nossa desobediência é redimida; pela morte de Cristo na árvore da cruz, nós temos acesso ao fruto da Vida, da Vida plena, da Vida em abundância, da Vida que nunca haverá de se acabar! Pela obediência de Cristo, pelo dom do seu Espírito, nós temos a vida divina, nós somos divinizados, somos, por pura graça, aquilo que queríamos ser de modo autônomo e soberbo! Assim, manifestou-se a justiça de Deus: em Jesus morto e ressuscitado por nós – e só Nele! – a humanidade encontra vida!<br></span><span style="color: inherit;">    A narrativa das tentações que Jesus sofreu mostra que Jesus “foi experimentado em tudo” (Hb 4, 15), comprovando também a veracidade da Encarnação do Verbo de Deus. Diz Santo Agostinho que, na sua passagem por este mundo nossa vida não pode escapar à prova da tentação, dado que nosso progresso se realiza pela prova. De fato, ninguém se conhece a si mesmo sem ser experimentado, e não pode ser coroado sem ter vencido, e não pode vencer se não tiver combatido, e não pode lutar se não encontrou o inimigo e as tentações.<br></span><span style="color: inherit;">    O Senhor está sempre ao nosso lado, em cada tentação, e nos diz afetuosamente: “Confiai: Eu venci o mundo” (Jo16, 33). E com o salmista podemos dizer: “O Senhor é a minha luz e a minha salvação; a quem temerei?” (Sl 26, 1). “Procuremos fugir das ocasiões de pecado, por pequenas que sejam, pois aquele que ama o perigo nele perecerá” (Eclo 3, 27). Como Jesus nos ensinou na oração do Pai Nosso: “Não nos deixeis cair em tentação”; é necessário repetir muitas vezes e com confiança essa oração!<br></span><span style="color: inherit;">    Portanto, a maneira de combater de um filho de Deus é equilibrada: confia, em primeiro lugar, na graça de Deus e, depois, coloca todos os meios que está ao seu alcance para conseguir a vitória: oração, sacramentos, fuga das ocasiões de pecado, cultivo do espírito de penitência, uma dimensão de serviço que ajuda a descomplicar-se.<br></span><span style="color: inherit;">    Bom itinerário quaresmal a todos!</span></p><div><br></div>Sat, 04 Mar 2017 10:35:07 -0300Eis o tempo de conversãohttps://cristoredentoroficial.com.br/noticias/eis-o-tempo-de-conversaohttps://cristoredentoroficial.com.br/noticias/eis-o-tempo-de-conversao<p>    Estamos iniciando um tempo importantíssimo na caminhada eclesial: a Quaresma! Eis o tempo de conversão! Não podemos deixar passar esta oportunidade. Deus quer que o pecador se converta e viva, mas isso supõe a abertura à graça, cooperando com o arrependimento e praticando as obras de penitência. No seu sentido próprio e verdadeiro, o pecado – dizia São João Paulo II – “é sempre um ato da pessoa, porque é um ato de um homem, individualmente considerado, e não propriamente de um grupo ou de uma comunidade”.<br><span style="color: inherit;">    Descarregar o homem dessa responsabilidade seria obliterar a dignidade e a liberdade da pessoa, que também se revelam – se bem que negativa e desastrosamente – nessa responsabilidade pelo pecado cometido. Por isso, em todos e em cada um dos homens, não há nada tão pessoal e intransferível como o mérito da virtude ou a responsabilidade da culpa.<br></span><span style="color: inherit;">    Assim, é uma graça do Senhor não deixarmos de arrepender-nos dos nossos pecados passados nem mascararmos os presentes, mesmo que não passem de imperfeições. Que também nós possamos dizer: Eu reconheço a minha iniquidade e o meu pecado está sempre à minha frente (Sl 50,5).<br></span><span style="color: inherit;">    É verdade que um dia confessamos as nossas culpas e o Senhor nos disse: Vai e não tornes a pecar. Mas os pecados deixam um vestígio na alma. Perdoada a culpa, permanecem as disposições causadas pelos atos anteriores.  Porém, ficam debilitadas e diminuídas, de maneira que não dominam o homem e permanecem mais em forma de disposição que de hábito. Além disso, existem pecados e faltas que não chegamos a perceber por falta de espírito de exame, por falta de delicadeza de consciência... são como más raízes que ficaram na alma, e que é necessário arrancar mediante a penitência, para impedir que produzam frutos amargos.<br></span><span style="color: inherit;">    Muitos são os motivos que temos para fazer penitência neste tempo da Quaresma, e devemos concretizá-la em pequenas coisas: em mortificar os nossos gostos nas refeições, como o jejum e a abstinência que a Igreja manda, assim em outras situações como o domínio da língua, dos olhos, dos julgamentos, em ser pontuais, em vigiar a imaginação. E também em procurar, com o conselho do diretor espiritual, do confessor, outros sacrifícios de maior importância, que nos ajudem a purificar a alma e a reparar os pecados próprios e alheios.<br></span><span style="color: inherit;">    O pecado é sempre uma ofensa a Deus, não deixa de produzir efeitos nos demais homens. Para o bem ou para o mal, estamos sempre influindo naqueles que estão ao nosso lado, na Igreja e no mundo, e não apenas pelo bom ou mau exemplo que lhes damos ou pelos resultados diretos das nossas ações. Esta é a outra face daquela solidariedade que, em nível religioso, se desenvolve no profundo e magnífico mistério da Comunhão dos Santos, graças à qual se pode dizer que cada alma que se eleva, eleva o mundo.<br></span><span style="color: inherit;">    O Senhor pede-nos que sejamos motivo de alegria e luz para toda a Igreja. No meio do nosso trabalho e das nossas tarefas, ser-nos-á de grande ajuda pensar nos outros, saber que somos apoio – também mediante a penitência – para todo o Corpo Místico de Cristo, e em especial para aqueles que, ao longo da vida, o Senhor foi colocando ao nosso lado. E compreenderás que a penitência é “gaudium etsi laboriosum” – alegria, embora trabalhosa. E te sentirás “aliado” de todas as almas penitentes que foram, são e serão. Terás mais facilidade em cumprir o teu dever, se pensares na ajuda que te prestam os teus irmãos e na que deixas de prestar-lhes se não és fiel.<br></span><span style="color: inherit;">    A penitência que o Senhor nos pede, como cristãos que vivem no meio do mundo, deve ser discreta, alegre..., uma penitência que quer permanecer inadvertida, mas que não deixa de traduzir-se em atos concretos. Além disso, não faz mal que vez por outra se percebam as nossas penitências. Se foram testemunhas das tuas fraquezas e misérias, que importa que o sejam da tua penitência?<br></span><span style="color: inherit;">    Uma penitência que agrada muito a Deus é aquela que se manifesta em atos de caridade e que tende a facilitar aos outros o caminho que conduz a Deus, tornando-o mais amável. As nossas oferendas ao Senhor devem caracterizar-se pela caridade: saber pedir perdão àqueles a quem ofendemos; assumir plenamente o sacrifício que supõe cuidar da formação de alguém que está sob a nossa responsabilidade; ser pacientes; saber perdoar com prontidão e generosidade. A este respeito, nos diz São Leão Magno: “Ainda que sempre seja necessário aplicar-se à santificação do corpo, agora, sobretudo, durante os jejuns da Quaresma, deveis aperfeiçoar-vos pela prática de uma piedade mais ativa. Dai esmolas, que é muito eficaz para nos corrigirmos das nossas faltas; mas perdoai também as ofensas e abandonai as queixas contra aqueles que vos fizeram algum mal”. (São Leão Magno, Sermão 45- sobre a Quaresma).<br></span><span style="color: inherit;">    Que a Bem-Aventurada Virgem Maria nos ajude nesta etapa de santificação que é o tempo quaresmal, que nos convida à conversão e a ter um coração completamente voltado para amar ainda mais a Deus e ao próximo.</span></p><div><br></div>Thu, 02 Mar 2017 14:43:11 -0300Tempo de Jejumhttps://cristoredentoroficial.com.br/noticias/tempo-de-jejumhttps://cristoredentoroficial.com.br/noticias/tempo-de-jejum<p>    Uma das características do tempo da Quaresma é a Penitência, sobretudo no comer e no beber. Tal penitência pode consistir numa simples abstinência, que é renúncia a algum alimento, ou pode chegar ao jejum, que consiste no privar-se das refeições de modo total ou parcial. É muito importante a prática de tal forma de penitência. Aliás, eram o jejum e a abstinência que, na Igreja Antiga, davam uma fisionomia própria ao tempo quaresmal.<br><span style="color: inherit;">    Mas, por que jejuar? Por que se abster de alimentos? É necessário compreender o sentido profundo que o cristianismo dá a essas práticas, para não ficarmos numa atitude superficial, às vezes até folclórica ou, por ignorância pura e simples, desprezarmos algo tão belo e precioso no caminho espiritual do cristão.<br></span><span style="color: inherit;">    O jejum nos ensina que somos radicalmente dependentes de Deus. Na Escritura, a palavra nephesh significa, ao mesmo tempo, vida e garganta. A ideia que isso exprime é que nossa vida não vem de nós mesmos, não a damos a nós próprios; nós a recebemos continuamente: ela entra pela nossa garganta com o alimento que comemos, a água que bebemos, o ar que respiramos. Jamais o homem pode pensar que se basta a si mesmo, que pode se fechar para Deus. Quando jejuamos, sentimos uma certa fraqueza e lerdeza, às vezes nos vem mesmo um pouco de tontura. Isso faz parte da “psicologia do jejum”: recorda-nos o que somos sem esta vida que vem de fora, que nos é dada por Deus continuamente.<br></span><span style="color: inherit;">    A prática do jejum impede-nos, então, da ilusão de pensar que a nossa existência, uma vez recebida, é autônoma, fechada, independente. Nunca poderemos dizer: “A vida é minha; faço como eu quero”! A vida será sempre, e em todas as suas etapas, um dom de Deus, um presente gratuito, e nós seremos sempre dependentes dele. Esta dependência nos amadurece, nos liberta de nossos estreitos e mesquinhos horizontes, nos livra da autossuficiência e nos faz compreender “na carne” nossa própria verdade, recordando-nos que a vida é para ser vivida em diálogo de amor com Aquele que no-la deu.<br></span><span style="color: inherit;">    O alimento é uma de nossas necessidades básicas, um de nossos instintos mais fundamentais. A abstenção do alimento nos exercita na disciplina, fortalecendo nossa força de vontade, aguçando nossa capacidade de vigilância, dando-nos a capacidade para uma verdadeira disciplina. Nossa tendência é ir atrás de nossos instintos, de nossas tendências, de nossa vontade desequilibrada. Aliás, essa é a grande fraqueza e o grande engano do mundo atual. Dizemos: “não vou me reprimir; não vou me frustrar”, e vamos nos escravizando aos desejos mais banais e às paixões mais contrárias ao Evangelho e ao amor pelo próximo.<br></span><span style="color: inherit;">    O próprio Jesus, de modo particular, e a Escritura, de modo geral, nos exortam à vigilância e à sobriedade. O jejum e a abstinência, portanto, são como que um treino para que sejamos senhores de nós mesmos, de nossas paixões, desejos e vontades. Assim, seremos realmente livres para Cristo, sendo livres para realizar aquilo que é reto e desejável aos olhos de Deus! O próprio Jesus afirmou que quem comete pecado é escravo do pecado! Não adianta: sem o exercício da abstinência, jamais seremos fortes. Não basta malhar o corpo; é preciso malhar o coração!<br></span><span style="color: inherit;">    O jejum tem também a função de nos unir a Cristo no seu período de quarenta dias no deserto. Quaresma de Cristo, quaresma do cristão. Faz-nos, assim, participantes da paixão do Senhor, completando em nós o que faltou à cruz de Jesus. O cristão jejua por amor a Cristo e para unir-se a Ele, trazendo na sua carne as marcas da cruz do Senhor. É uma união com o Senhor que não envolve somente a alma, com seus sentimentos e afetos, mas também o corpo. É o homem todo, a pessoa na sua totalidade que se une ao Cristo. Nunca é demais recordar que o cristianismo não é uma religião simplesmente da alma, mas atinge o homem em sua totalidade. Pelo jejum, também o corpo reza, também o corpo luta para colocar-se no âmbito da vida nova de Cristo Jesus. Também o corpo necessita, como o coração, ser esvaziado do vinagre dos vícios para ser preenchido pelo mel, que é o Espírito Santo de Jesus.<br></span><span style="color: inherit;">    Portanto, o jejum e a abstinência fazem-nos recordar aqueles que passam privação, sobretudo fome, abrindo-nos para os irmãos necessitados. Há tantos que, à força, pela gritante injustiça social em nosso País, jejuam e se abstêm todos os dias, o ano todo! O jejum nos faz sentir um pouco a sua dor, tão concreta, tão real, tão dolorosa! Por isso mesmo, na tradição mística e ascética da Igreja, o jejum e a abstinência devem ser acompanhados sempre pela esmola: aquele alimento do qual me privo, já não é mais meu, mas deve ser destinado ao pobre. Eis o jejum perfeito: ele me abre para Deus e para os irmãos. Neste ponto, é enorme a insistência seja da Sagrada Escritura, seja dos Padres da Igreja (os santos doutores dos primeiros séculos do cristianismo).<br></span><span style="color: inherit;">    Resta-nos, agora, passar da teoria à prática. Seja nossa Quaresma rica do jejum e da abstinência, enriquecidos com o bem da caridade fraterna, da esmola, que se efetiva na atenção e preocupação ativa e concreta pelos pobres de todas as pobrezas. É costume também o fruto do jejum e abstinência ser entregue na oferta no Domingo de Ramos, para a Campanha da Solidariedade, na conclusão da Campanha da Fraternidade.</span></p><div><br></div>Wed, 01 Mar 2017 10:20:10 -0300